A empresa angolana de logística e transportes Transtrevo prevê alcançar uma facturação consolidada superior a 16 milhões de dólares em 2026, ano em que completa dez anos de actividade e consolida uma expansão internacional que já abrange três continentes. A informação foi avançada pelo jornal mercado.co.ao.
Fundada em Luanda em 2016 pela empresária Katiana de Oliveira, a Transtrevo transformou, em uma década, uma aposta nacional num grupo com estruturas em Angola, Moçambique, África do Sul, Portugal, Espanha e Dubai, além de representações comerciais no Brasil, na China e na Índia. Apesar da presença global, a empresa mantém em África a sua origem, o capital e o centro de decisão, um detalhe que diz muito sobre o momento que o empresariado angolano vive.
De Luanda para o mundo: a trajetória da Transtrevo
O percurso da Transtrevo é, em muitos aspectos, o espelho da Angola que emergiu da guerra civil e da reconstrução nacional. Lançada em 2016, num período em que o país diversificava esforços para além do petróleo, a empresa começou por prestar serviços de transporte marítimo, aéreo e rodoviário, logística para projectos industriais e energéticos, operações aduaneiras e transporte de minérios.
A internacionalização arrancou em 2023, com a entrada do empresário moçambicano Tiago Martins na estrutura accionista e a abertura de operações em Moçambique e na África do Sul. Em Janeiro de 2024 chegou a vez de Portugal, seguido da Espanha e de Dubai. A rede estendeu-se depois a mercados como o Brasil, a China e a Índia, através de representação comercial.
A actividade da empresa está particularmente ligada aos sectores da energia, petróleo e gás, indústria e comércio internacional, áreas onde Angola tem interesses estratégicos evidentes. A empresa presta igualmente serviços de distribuição de bens de consumo e de comércio internacional.
Contrato com a TotalEnergies e parceria com a Crane Worldwide
Entre os marcos recentes destaca-se o contrato celebrado em 2025 com a TotalEnergies Angola, para a prestação de serviços associados às operações petrolíferas. O acordo representa um passo no posicionamento da Transtrevo como fornecedora de grandes operadores internacionais do sector energético, território tradicionalmente dominado por empresas estrangeiras.
Em 2026, a empresa estabeleceu também uma parceria estratégica com a norte-americana Crane Worldwide Logistics, com o objectivo de desenvolver negócios e operações em Angola, Moçambique e Portugal. A colaboração visa reforçar a integração da Transtrevo nas cadeias logísticas internacionais e ampliar a sua capacidade de resposta a operações com origem ou destino em África.
Em Moçambique, a Transtrevo participa em operações logísticas ligadas a projectos de gás natural liquefeito, transporte de equipamentos industriais e distribuição alimentar, incluindo transporte, gestão aduaneira e distribuição.
Uma angolana a competir com as grandes do mundo
«Há dez anos, criámos uma empresa em Angola com a ambição de demonstrar que o conhecimento do mercado, a competência das nossas equipas e a capacidade de execução podiam abrir caminho a oportunidades internacionais», afirmou Katiana de Oliveira, citada no comunicado de imprensa.
A fundadora considera que a presença em diferentes mercados e a colaboração com operadores globais demonstram a capacidade de uma empresa de origem africana competir internacionalmente. A ambição, acrescentou, é consolidar a Transtrevo como uma empresa africana com capacidade para disputar oportunidades nos mercados mundiais.
A mensagem é clara e merece ser sublinhada numa altura em que se discute, com razão, a necessidade de as empresas angolanas deixarem de ser meras espectadoras nas cadeias de valor dos hidrocarbonetos e da logística regional. A Transtrevo prova que o capital nacional, gerido com competência, pode sentar-se à mesa com os grandes operadores globais sem depender de protecções artificiais.
Próximos passos: frota própria e corredores da África Austral
Para os próximos tempos, o grupo prevê reforçar a capacidade operacional, expandir a frota própria e consolidar as actividades de transporte e logística nos corredores da África Austral, com particular atenção aos sectores da energia, mineração e distribuição.
A empresa pretende igualmente aprofundar a integração das suas estruturas internacionais, através de soluções que reúnam aquisição de mercadorias, transporte, gestão documental, desalfandegamento e distribuição. O objectivo é permitir que os clientes concentrem num único parceiro diferentes etapas das respectivas cadeias de abastecimento.
Ao completar dez anos de actividade, a Transtrevo procura consolidar a expansão iniciada em Angola e reforçar a presença nos mercados internacionais, apostando no desenvolvimento de capacidade operacional própria e na participação de empresas africanas nas cadeias globais de comércio e logística.
Perguntas frequentes
Qual é a facturação prevista da Transtrevo para 2026?
A Transtrevo prevê facturar mais de 16 milhões de dólares em 2026, segundo informação avançada pelo mercado.co.ao.
Quem fundou a Transtrevo e quando?
A empresa foi fundada em Angola, em 2016, pela empresária Katiana de Oliveira.
Em que países opera a Transtrevo?
A Transtrevo tem estruturas em Angola, Moçambique, África do Sul, Portugal, Espanha e Dubai, além de representação comercial no Brasil, na China e na Índia.
