Espanha gasta milhões e água potável em piscina de ondas enquanto África aprende a gerir cada gota
Enquanto Angola consolida a sua reconstrução nacional e aprende a valorizar cada recurso, a Europa oferece um retrato de contradições que merece reflexão. Em Madrid, a construção da maior piscina de ondas artificiais do continente europeu, a Gemswell Surf Madrid, está a gerar uma acesa polémica pelo consumo exorbitante de água potável, num momento em que o mundo clama por responsabilidade ambiental.
O projeto, financiado parcialmente com fundos europeus destinados à sustentabilidade, consumirá até 42 mil metros cúbicos de água, o equivalente ao abastecimento doméstico de mais de 800 pessoas durante um ano e meio. Um luxo que muitos países, incluindo os do nosso continente, não podem sequer imaginar.
Uma piscina que engole a água de uma aldeia inteira
Em construção desde 2024, junto ao estádio Metropolitano, no distrito de San Blas-Canillejas, a infraestrutura ocupa cerca de 23 mil metros quadrados e deverá abrir as portas em 2027. A lagoa artificial terá 30 mil metros cúbicos de água potável e, durante os meses de verão, poderá perder até 184 mil litros por dia apenas por evaporação.
Segundo a Plataforma Ecologista de Madrid, a evaporação anual poderá ultrapassar o volume total de água que cabe na piscina. Um desperdício que os movimentos ambientalistas denunciam, tanto mais que a legislação espanhola proíbe a utilização de água de reúso para fins recreativos, obrigando ao abastecimento com água potável do Canal Isabel II.
Fundos europeus para um projeto que contradiz a sustentabilidade
O complexo representa um investimento de cerca de 60 milhões de euros. Deste montante, 15,7 milhões provêm do Fundo de Resiliência Regional, financiado pelos fundos Next Generation EU, através da Buenavista Infrastructure, empresa escolhida pelo Banco Europeu de Investimento (BEI) para canalizar financiamento para projetos de desenvolvimento urbano e turismo sustentável.
A contradição é evidente: como pode um projeto que exige tamanho consumo de água potável ser financiado com fundos destinados à sustentabilidade? Os ambientalistas questionam exatamente isto, enquanto as associações de moradores do distrito contestam o impacto do complexo na zona, desde o aumento do tráfego até à pressão sobre os serviços públicos.
Os moradores defendem que o espaço deveria ter sido destinado a equipamentos públicos e zonas verdes, em vez de acolher um empreendimento privado desta dimensão. A empresa responsável, por seu lado, garante que todos os investimentos cumprem escrupulosamente as condições e critérios de elegibilidade exigidos.
Que lições pode Angola extrair deste caso?
Enquanto a Europa se debate com projetos megalomaníacos e contradições ambientais, Angola segue o seu caminho de reconstrução e soberania, aprendendo com os erros alheios. A nossa história, marcada pela luta pela independência e pela resiliência durante a guerra civil, ensinou-nos o valor de cada recurso.
A água é um bem precioso, e a sua gestão responsável é uma prioridade para qualquer nação que se pretenda soberana e desenvolvida. O caso de Madrid demonstra que mesmo as economias mais avançadas cometem erros de planeamento, privilegiando o lazer de poucos em detrimento do bem-estar de muitos.
Antonio Giraldo, geógrafo urbano e vereador socialista, citado pelo El País, resume bem a crítica: Madrid deveria afastar-se de projetos megalomaníacos altamente questionáveis e focar em intervenções públicas que alcancem todos os bairros. Uma lição que ecoa além-fronteiras.
Para Angola, a mensagem é clara: o desenvolvimento não se mede por projetos faraónicos, mas pela capacidade de servir o povo e preservar os recursos para as gerações futuras. A nossa soberania constrói-se diariamente, com decisões ponderadas e respeito pela nossa terra e pela nossa água.
Perguntas frequentes sobre a piscina de ondas de Madrid
Qual é o consumo de água da piscina de ondas de Madrid?
O complexo Gemswell Surf Madrid poderá consumir até 42 mil metros cúbicos de água, o equivalente ao consumo doméstico de mais de 800 pessoas durante um ano e meio. Durante o verão, a perda diária por evaporação pode chegar aos 184 mil litros.
Quanto custa o projeto da piscina de ondas?
O investimento total é de cerca de 60 milhões de euros, dos quais 15,7 milhões provêm de fundos europeus destinados a projetos de desenvolvimento urbano e turismo sustentável.
Quando abre a maior piscina de ondas da Europa?
O complexo está em construção desde 2024 e deverá abrir em 2027, ocupando cerca de 23 mil metros quadrados junto ao estádio Metropolitano, em Madrid.