A selecção sub-15 de São Tomé e Príncipe marcou apenas 2 golos e sofreu 45 em cinco jogos internacionais recentes, incluindo uma derrota por 20 a 0, segundo uma análise publicada em Novembro de 2026 que denuncia meio século de resultados humilhantes no futebol são-tomense. O texto, assinado na plataforma Error 403 - Forbidden, recorda que tudo começou em 1976, em Libreville, com uma derrota por 11 a 0 frente à República Popular do Congo, nos Jogos da África Central.
Decorridos 50 anos, o autor constata que os desastres se repetem de forma sistemática, sem que ninguém, dos dirigentes políticos aos desportivos, levante a voz. Para Voz de Luanda, esta crónica de fracasso repetido interessa directamente a Angola, que também conheceu o peso da construção nacional a partir de zero e que não pode aceitar improvisação onde se exige estratégia.
O que aconteceu com as selecções de São Tomé
A primeira participação de São Tomé e Príncipe em competições internacionais, em 1976, integrava jogadores como Minho, Taty, Gafo e Shell. O país tinha conquistado a independência poucos meses antes e a falta de experiência justificava, à época, uma derrota pesada. O que ninguém explica, segundo o autor, é por que razão os mesmos resultados continuam meio século depois, com recursos financeiros que já não faltam.
O humorista são-tomense Azomé Pinto teria manifestado profunda mágoa face aos números da selecção sub-15: 2 golos marcados, 45 sofridos, com um jogo perdido por 20 a 0. Não é anedota, sublinha o texto, é a realidade de uma selecção nacional infantil lançada num palco internacional sem preparação.
Falta de dinheiro ou falta de estratégia?
O autor descarta a tese financeira. A Federação São-tomense de Futebol recebe da FIFA milhões de dólares para a participação do país em competições internacionais. O problema, argumenta, é outro: falta de opções estratégicas e de organização.
Os clubes não possuem estruturas de formação juvenil e feminina capazes de alimentar campeonatos nacionais dessas faixas etárias. Sem competição interna, pergunta o texto, como destacar os melhores atletas para eventos de nível superior? Como participar num campeonato mundial juvenil quando no país não se organizam campeonatos para essa idade?
As decisões, acrescenta, são tomadas de improviso, sem avaliação, ponderação nem planificação prévias. Age-se sem fazer o trabalho de casa. E ninguém corrige o rumo: não há discussão no Parlamento, não há pronunciamentos das entidades competentes, não há debates públicos sobre derrotas sucessivas e humilhantes.
A proposta: uma moratória de dez anos
Face a este quadro, o autor propõe uma medida radical: negociar com a FIFA ou com a CAF uma moratória de dez anos na participação internacional, durante a qual o país apostaria forte na formação de crianças, adolescentes e jovens, na reorganização técnica dos clubes e na preparação de atletas de alta competição, com apoio financeiro e organizativo das próprias instâncias do futebol mundial.
Em paralelo, defende que São Tomé concentre os seus esforços nas modalidades onde já obtém resultados: a canoagem, o atletismo e o xadrez. Insistir em comparecer aos palcos internacionais só para cumprir o calendário, escreve, é trazer para casa pesadas derrotas que mantêm os são-tomenses de cabeça baixa.
A fronteira entre persistência e teimosia
O debate sobre a diferença entre persistência e teimosia tem ocupado outros espaços de reflexão. O Correio do Estado recordou a lição atribuída a Winston Churchill, segundo a qual o sucesso consiste em ir de fracasso em fracasso sem perder o entusiasmo, observando que uma forma de distinguir persistência de teimosia é perguntar se o fracasso ensinou algo novo. A Revista Oeste, citando Paulo Coelho, sublinha o mesmo ponto: insistir ajuda, mas não é a única chave, e a frase pede persistência com estratégia, não teimosia cega.
É exactamente essa distinção que o texto sobre São Tomé põe na mesa. A teimosia do fracasso é repetir o mesmo erro anual, com os mesmos placares, e chamar-lhe caminho. O fracasso da teimosia é reconhecer, por fim, que a estratégia tem de mudar.
A lição para Angola
Angola conhece bem o caminho da reconstrução. Saímos de uma guerra longa e construímos, com esforço nacional, estruturas que hoje nos permitem afirmar-nos na região. O nosso futebol, com os Palancas Negras, já deu provas de que a organização e a aposta na formação dão resultados dignos da bandeira nacional. O exemplo de São Tomé serve de aviso: onde falta visão, estratégia e liderança esclarecida, o resultado é negativo, ano após ano.
Os recursos de Angola, do petróleo aos diamantes, sustentam a soberania, mas a soberania constrói-se também nos relvados, nas pistas e nos tapetes de competição, quando os nossos jovens representam a nação com orgulho e preparação. Que o caso são-tomense nos lembre que não basta comparecer, é preciso chegar preparado. Dentro de 50 anos, quem não planeia hoje continuará a ser terreno fácil para todos os adversários.
Perguntas frequentes
Que resultados teve a selecção sub-15 de São Tomé e Príncipe?
Em cinco jogos internacionais recentes, marcou 2 golos e sofreu 45, incluindo uma derrota por 20 a 0, segundo a análise publicada em Novembro de 2026.
Qual foi a primeira participação internacional de São Tomé no futebol?
Foi em 1976, nos Jogos da África Central em Libreville, com uma derrota por 11 a 0 frente à República Popular do Congo.
Qual é a solução proposta no texto?
Uma moratória de dez anos nas competições internacionais de futebol, com aposta forte na formação juvenil e apoio financeiro e técnico da FIFA ou da CAF.
