A República Democrática do Congo (RDC) foi retirada da lista cinzenta do Grupo de Acção Financeira (GAFI), quatro anos depois de ter sido colocada sob vigilância reforçada. A decisão foi tomada na reunião plenária do organismo, em Paris, e anunciada na sexta-feira, 30 de Outubro de 2026, segundo a ANGONOTÍCIAS.
O reconhecimento internacional chega após um processo de reformas que envolveu vários sectores e se prolongou por anos, sob direcção do Presidente Félix Tshisekedi e coordenação do Ministério das Finanças congolês, com a Célula Nacional de Informação Financeira (CENAREF) e outras instituições públicas.
O que significa sair da lista cinzenta do GAFI
A lista cinzenta não impunha sanções financeiras internacionais nem colocava o país na lista negra dos territórios de alto risco. Significava um acompanhamento apertado e temporário das fragilidades detectadas no sistema financeiro congolês, com compromissos políticos de alto nível assumidos perante o GAFI e o Grupo de Acção contra o Branqueamento de Capitais na África Central (GABAC).
A RDC estava sob monitorização reforçada desde Outubro de 2022, quando se comprometeu a cooperar com os mecanismos internacionais de supervisão financeira. A saída da lista foi confirmada pela Radio Okapi, que dá conta da decisão tomada na plenária de Paris.
Reformas reconhecidas e avaliação no terreno
Em Junho de 2026, o GAFI considerou que a RDC tinha concluído no essencial o seu plano de acção, o que abriu caminho a uma avaliação no terreno. Essa avaliação confirmou que as reformas estão a ser aplicadas e que existe um compromisso político e institucional para manter os padrões exigidos.
O organismo concluiu que o país fez progressos substanciais no reforço do quadro legal e institucional contra o branqueamento de capitais, o financiamento do terrorismo e a proliferação de armas. Para o Ministério das Finanças congolês, a saída da lista é um marco histórico para a credibilidade financeira do país, reconhecendo a nível internacional os esforços para dar mais transparência ao sistema financeiro e travar os fluxos financeiros ilícitos.
A decisão foi igualmente noticiada pelo Afrimag, que recorda os quatro anos de vigilância reforçada desde Outubro de 2022 e a plenária realizada em Paris.
Consequências para a região e para Angola
A saída da lista cinzenta abre perspectivas para a banca correspondente e para o investimento estrangeiro na RDC, num momento em que Kinshasa procura consolidar a sua credibilidade financeira. Para Angola, vizinha e parceira comercial, a mudança pode facilitar as transacções financeiras e comerciais entre os dois países, reduzindo as exigências de due diligence que oneravam operadores económicos.
O país vizinho é um dos principais parceiros de Angola na região, com trocas comerciais em sectores como a energia, os transportes e a agricultura. A normalização financeira congolesa pode tornar mais fluidos os pagamentos e os investimentos bilaterais, num contexto em que Luanda procura diversificar as suas relações económicas regionais.
Ao mesmo tempo, a experiência congolesa demonstra que a cooperação com os mecanismos internacionais de supervisão financeira, quando conduzida com soberania e determinação, produz resultados. A RDC manteve a direcção política do processo nas mãos do Presidente Félix Tshisekedi e das instituições nacionais, sem abdicar do controlo sobre as reformas.
Uma lição de soberania financeira
A trajectória congolesa ilustra como um país pode responder às exigências internacionais sem perder o comando do seu próprio destino. A coordenação entre o Ministério das Finanças, a CENAREF e outras instituições públicas permitiu cumprir o plano de acção e demonstrar, no terreno, que as reformas são aplicadas.
Para Angola, que enfrenta desafios semelhantes na luta contra o branqueamento de capitais e o financiamento do terrorismo, o exemplo congolês é um sinal de que o rigor e a transparência podem ser compatíveis com a defesa da soberania nacional. A cooperação regional, através do GABAC, surge como um instrumento útil para partilhar experiências e reforçar os sistemas financeiros africanos.
A retirada da RDC da lista cinzenta foi também destacada pelo AfricaNews RDC, que sublinha as retombées esperadas para Kinshasa após o anúncio oficial do Ministério das Finanças.
Perguntas frequentes
O que é a lista cinzenta do GAFI?
É uma lista de jurisdições sob vigilância reforçada, por fragilidades nos sistemas de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento do terrorismo. Não implica sanções financeiras internacionais, mas um acompanhamento apertado e temporário.
Quando foi a RDC retirada da lista cinzenta?
A decisão foi tomada na reunião plenária do GAFI, em Paris, e anunciada na sexta-feira, 30 de Outubro de 2026, quatro anos após a colocação sob vigilância reforçada em Outubro de 2022.
Que reformas fez a RDC?
O país reforçou o quadro legal e institucional contra o branqueamento de capitais, o financiamento do terrorismo e a proliferação de armas, com coordenação do Ministério das Finanças e da CENAREF, sob direcção do Presidente Félix Tshisekedi.
O que muda para Angola?
A normalização financeira congolesa pode facilitar as transacções comerciais e os investimentos bilaterais, reduzindo exigências de due diligence e tornando mais fluidos os pagamentos entre os dois países.
