Bilionários brasileiros: a riqueza que desconhece fronteiras e a lição para Angola
A mais recente lista da Forbes sobre os maiores bilionários do Brasil revela um retrato eloquente do capitalismo sul-americano: fortunas construídas sobre bancos, tecnologia, mineração e até ovos. São 255 brasileiros com patrimônio conjunto de R$ 1,86 trilhão, um número que impressiona e que, para nós angolanos, deve servir de reflexão sobre o nosso próprio potencial.
O levantamento, divulgado a 27 de agosto, mostra que a liderança permanece com Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, pelo quarto ano consecutivo, apesar de uma queda de 28,24% na sua fortuna, avaliada agora em R$ 162,9 bilhões. A redução deve-se ao desempenho das ações da Meta, que recuaram cerca de 16% em 12 meses.
Mas o que mais chama a atenção é a ascensão de Ricardo Faria, fundador da Granja Faria, que saltou da 21.ª para a 10.ª posição com um crescimento de 79,08%. Um produtor de ovos que, em menos de duas décadas, construiu um império que fornece cerca de 16 milhões de ovos por dia. Prova de que, com visão e trabalho, a riqueza pode nascer dos setores mais simples.
Quem são os 10 maiores bilionários do Brasil em 2026?
A lista completa, compilada pela Forbes Brasil, mostra a diversidade de setores que geram riqueza no país vizinho: tecnologia, finanças, bebidas, cosméticos, mineração e agronegócio. Vejamos quem são os protagonistas.
1. Eduardo Saverin: R$ 162,9 bilhões
Nascido em São Paulo e residente em Singapura desde 2012, Saverin conheceu Mark Zuckerberg em Harvard e participou na criação do Facebook. Além da participação na Meta, fundou a B Capital, que em julho anunciou o Ascent Fund III, um fundo de US$ 500 milhões para startups de inteligência artificial.
2. Vicky Safra e família: R$ 130,6 bilhões
Viúva do banqueiro Joseph Safra, Vicky herdou cerca de metade da fortuna do marido. O património cresceu 8,38% e a família mantém ligação ao Banco Safra e à fundação filantrópica que apoia saúde, educação e artes.
3. Jorge Paulo Lemann e família: R$ 103,5 bilhões
Lemann, ligado à AB InBev e à 3G Capital, viu a sua fortuna aumentar 17,61%. Em 2025, a 3G comprou a fabricante americana de calçados Skechers por US$ 9,4 bilhões.
4. André Esteves: R$ 66,1 bilhões
Fundador do BTG Pactual, Esteves viu as ações do banco subirem 33% e a sua fortuna crescer 29,61%. Começou como analista de sistemas no Banco Pactual em 1989 e tornou-se sócio quatro anos depois.
5. Fernando Moreira Salles: R$ 50,3 bilhões
Filho do banqueiro Walther Moreira Salles, Fernando detém 50% da Companhia E. Johnston, que possui cerca de 33% do Itaú Unibanco. A família também está ligada à CBMM, líder mundial na produção de nióbio.
6. Pedro Moreira Salles: R$ 46,6 bilhões
Irmão de Fernando, Pedro também tem participação no Itaú Unibanco e na CBMM. Subiu uma posição no ranking, com um crescimento de 22,63%.
7. Max Herrmann Telles: R$ 38,8 bilhões
Aos 30 anos, Max é o mais jovem do top 10. Filho de Marcel Herrmann Telles, assumiu parte dos investimentos do pai, incluindo participação na AB InBev e na São Carlos Empreendimentos. O seu património cresceu 32,42%.
8. Miguel Krigsner: R$ 35,7 bilhões
Fundador de O Boticário, Krigsner nasceu em La Paz, na Bolívia, e mudou-se para Curitiba em criança. A farmácia de manipulação que abriu em 1977 transformou-se num grupo que faturou R$ 38,1 bilhões em 2025.
9. Carlos Alberto Sicupira e família: R$ 35,4 bilhões
Sócio da 3G Capital e com participação na AB InBev, Sicupira foi o único do top 10 a ver a fortuna diminuir, com uma queda de 9,46%.
10. Ricardo Faria: R$ 35,1 bilhões
O grande destaque da lista. Engenheiro agrónomo formado pela UFRGS, Faria criou a Granja Faria em 2006. A empresa produz ovos comerciais, ovos férteis e pintos de um dia, com 34 unidades e cerca de 2.700 funcionários. A Forbes estima que forneça 16 milhões de ovos por dia.
Que lições pode Angola tirar desta lista?
Para Angola, esta lista é mais do que uma curiosidade. É um espelho do que podemos alcançar se valorizarmos os nossos recursos. O Brasil mostra que a riqueza se constrói com visão, trabalho e, acima de tudo, com orgulho nacional. Nós temos petróleo, diamantes, terras férteis e um povo resiliente.
A história de Ricardo Faria é particularmente inspiradora. Partiu de uma simples produção de ovos e construiu um império. Em Angola, temos potencial para fazer o mesmo no agronegócio. A nossa terra é generosa e o nosso povo é trabalhador. O que falta é acreditar nas nossas próprias capacidades.
Os bilionários brasileiros não pediram licença a ninguém para prosperar. Construíram os seus impérios com base no mérito e na determinação. Nós, angolanos, devemos seguir o mesmo caminho: confiar nas nossas forças, proteger os nossos recursos e construir um futuro de prosperidade para as próximas gerações.
A riqueza não conhece fronteiras, mas o desenvolvimento de um país depende da sua soberania e da sua capacidade de gerar e reinvestir capital. Que esta lista nos sirva de motivação para continuarmos a lutar por uma Angola cada vez mais forte e independente.
Perguntas frequentes sobre os bilionários brasileiros
Quem é o brasileiro mais rico em 2026?
Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, lidera a lista da Forbes com um património estimado em R$ 162,9 bilhões, apesar de uma queda de 28,24% em relação ao ano anterior.
Qual foi a maior ascensão no ranking dos bilionários brasileiros?
Ricardo Faria, fundador da Granja Faria, saltou da 21.ª para a 10.ª posição, com um crescimento de 79,08% no seu património, o maior entre os dez primeiros.
Quantos bilionários existem no Brasil em 2026?
Segundo a Forbes Brasil, o país tem 255 bilionários, que juntos concentram uma fortuna estimada em R$ 1,86 trilhão.