A República Popular da China doou a São Tomé e Príncipe equipamentos de inspeção não intrusiva avaliados em sete milhões de euros, destinados ao Porto de Ana Chaves e ao Aeroporto Internacional Nuno Xavier, com entrada em funcionamento prevista para 1 de dezembro de 2026. Pela primeira vez em 51 anos de independência, o arquipélago passa a dispor de meios modernos de fiscalização das suas fronteiras, num passo decisivo para o controlo aduaneiro e a segurança nacional.
A informação foi avançada pelo portal que reportou a apresentação dos equipamentos, que detalhou a operação conduzida pelas autoridades são-tomenses com apoio de especialistas chineses. Trata-se de um scanner de contentores, instalado no Porto de Ana Chaves, e de dois equipamentos destinados à inspeção de bagagens no aeroporto internacional da ilha de São Tomé.
Que tecnologia chegou a São Tomé e Príncipe?
Os novos sistemas, fabricados pela empresa NewTek, produzem imagens de elevada resolução em três dimensões, o que permite às autoridades analisar mercadorias e bagagens com precisão sem depender exclusivamente da abertura física dos volumes. A embaixadora da China em São Tomé e Príncipe, Xu Yingzhen, saudou a chegada dos equipamentos e sublinhou o seu caráter inovador.
Trata-se de equipamentos de última geração e possuem características pioneiras no continente africano. A instalação e a capacitação dos profissionais nacionais constituem etapas fundamentais para garantir que a tecnologia seja utilizada de forma adequada e produza os resultados esperados.
A diplomata chinesa, que falava durante a apresentação e os testes de funcionamento dos equipamentos, acrescentou que os scanners deverão contribuir para o combate ao contrabando e para o aumento da eficiência dos serviços de fiscalização fronteiriça.
A cooperação não se limita à entrega de máquinas. Pequim enviou igualmente uma equipa de especialistas para apoiar a instalação e ministrar formação aos técnicos são-tomenses ligados aos serviços aduaneiros e à fiscalização portuária e aeroportuária, garantindo assim a transferência de conhecimentos.
Um marco histórico para a soberania aduaneira
O ministro de Estado da Economia e Finanças de São Tomé e Príncipe, Gareth Guadalupe, classificou o momento como de particular importância para o país. Durante cinco décadas de vida independente, o arquipélago nunca dispôs de scanners com esta capacidade para a inspeção de bagagens de mão e de porão, uma lacuna que fragilizava a soberania sobre as próprias fronteiras.
Em nome do Governo são-tomense, o ministro agradeceu às autoridades e ao povo da República Popular da China pelo apoio concedido, considerando que a iniciativa melhorará os procedimentos de fiscalização e proporcionará maior comodidade aos passageiros que chegam ao país.
Para um Estado pequeno, fortemente dependente das importações para satisfazer o mercado interno e cuja principal porta de entrada internacional por via aérea se situa na ilha de São Tomé, o controlo efetivo do que entra no território é uma questão de soberania, não de burocracia. O reforço da capacidade de identificação de mercadorias suspeitas no Porto de Ana Chaves responde exatamente a essa exigência.
Como funcionará a nova inspeção de bagagens
Segundo explicou Gareth Guadalupe, as bagagens que passem pelo equipamento sem elementos suspeitos prosseguirão normalmente. Aquelas em que forem detetados sinais de risco serão encaminhadas para uma sala adjacente, onde os agentes realizarão uma verificação física complementar.
O ministro fez questão de esclarecer que a introdução dos scanners não significa o fim das inspeções físicas. A diferença está na forma como serão realizadas: em vez de uma fiscalização generalizada e demorada, a abertura das malas incidirá sobretudo sobre os volumes sinalizados pelas máquinas.
Esta alteração deverá reduzir os tempos de espera, facilitar a circulação de passageiros e permitir que os funcionários aduaneiros concentrem a atenção nas situações que efetivamente exigem análise mais aprofundada. O Governo espera ainda que os novos equipamentos ajudem a prevenir o contrabando, a evasão fiscal e outras práticas associadas ao crime transnacional.
Cooperação com a China: um padrão em África e no mundo
A doação a São Tomé e Príncipe insere-se num movimento mais amplo de cooperação chinesa com países em desenvolvimento. No Brasil, a parceria com Pequim avança para uma nova fase industrial e verde, com destaque para a segurança energética e a gestão de cadeias de suprimentos, segundo reportagem do Brasil 247 sobre a cooperação sino-brasileira.
Na própria China, a modernização industrial impulsiona o desempenho do setor logístico, que registou crescimento constante nos três primeiros trimestres do ano, de acordo com dados oficiais citados pela agência Cri. A aposta de Pequim em tecnologia de ponta reflete-se agora nos equipamentos que chegam ao arquipélago.
Para os povos africanos, a questão que se coloca é clara: a cooperação deve traduzir-se em capacitação real dos quadros nacionais, e não em dependência. A formação dos técnicos são-tomenses, sublinhada pela embaixadora Xu Yingzhen, será determinante. A capacidade de operar os scanners, interpretar corretamente as imagens e identificar situações que justifiquem inspeção complementar transformará a aquisição tecnológica num verdadeiro instrumento de reforço institucional.
Os técnicos são-tomenses devem adquirir conhecimentos suficientes para operar e conservar os sistemas, de modo a assegurar a sua utilização a longo prazo e o contributo para o desenvolvimento económico nacional, afirmou a diplomata chinesa.
Perguntas frequentes
Quando entram os novos scanners em funcionamento em São Tomé?
Os equipamentos entram oficialmente em funcionamento a 1 de dezembro de 2026, no Porto de Ana Chaves e no Aeroporto Internacional Nuno Xavier.
Quanto custou a doação chinesa?
A doação do Governo da República Popular da China está avaliada em sete milhões de euros e inclui um scanner de contentores e dois equipamentos de inspeção de bagagens.
Os passageiros terão de abrir todas as malas?
Não. As bagagens sem sinais de risco prosseguem normalmente; apenas as sinalizadas pelos equipamentos serão encaminhadas para verificação física complementar.
