O barril de Brent, referência principal do crude exportado por Angola, cotava esta sexta-feira, dia 06, às 11:00, hora de Luanda, a 96,3 dólares, com uma queda diária de 1,5% e perdas semanais na ordem dos 15%, numa semana marcada pelo pânico nas bolsas mundiais.
A derrota sonante dos republicanos de Donald Trump nas eleições intercalares americanas de terça-feira, dia 03, e o desmoronar das cotações das tecnológicas ligadas à Inteligência Artificial estão na origem de uma fuga de capitais que, segundo o Novo Jornal, já fez desaparecer mais de 2,3 biliões de dólares dos mercados bolsistas norte-americanos.
Uma semana negra para as finanças mundiais
Os números falam por si. Só na quinta-feira, dia 05, evaporaram-se mais de 2,3 triliões de dólares das bolsas americanas, conforme avançou o jornal britânico The Guardian, citado pelo Novo Jornal. O Nasdaq caiu 5,5%, o Dow Jones recuou 3,4% e a S&P 500 perdeu 4,6%.
O contágio alastrou-se à Ásia. O Nikkei japonês cedeu mais de 6%, a pior queda desde Abril de 2025, quando Trump lançou a sua guerra mundial das tarifas. As bolsas da Coreia do Sul e de Taiwan registaram perdas semelhantes às do Japão.
“Um pedaço de um desastre” maior por vir, assim caracterizou Christopher Forbes, chefe do departamento de Ásia e Médio Oriente da CMC Markets, o actual estado dos mercados, em declarações citadas pelo The Guardian. O analista aponta o dedo às valorizações inflacionadas das empresas de IA, que atraíram rios de dinheiro que nunca serão recuperados.
A bolha da Inteligência Artificial e o risco de um megaresgate
Os analistas apontam como ideia sólida que a vitória em toda a linha dos democratas vai levar a um recuo acentuado do apoio estatal norte-americano aos gigantes da IA, como a OpenAI, Anthropic, Alphabet, Nvidia e Amazon. Onde a Inteligência Artificial iluminou o caminho dos investidores, abrem-se agora buracos por onde desaparecem milhões atrás de milhões.
Paul Krugman, Prémio Nobel da Economia, tem apontado para a inevitável explosão da bolha das tecnológicas. Estas empresas, pela sua grandeza, tornaram-se “demasiado grandes para poderem cair” e vão exigir um megaresgate estatal, estando por isso iminente uma nova crise financeira global.
Ainda é cedo para antever se se está perante uma queda descontrolada. Analistas como David Lin, que gere a plataforma de análise de risco David Lin Report, e Philip Pilkington, especialista em investimentos de risco, admitem que a situação possa vir a ser uma catástrofe global. Para já, muitos biliões já foram pelo ralo da finança mundial.
O que significa a queda do petróleo para Angola
Para Angola, estas notícias não são meras cotações distantes. O Brent é a referência do crude que sustenta as exportações nacionais, e uma queda semanal de quase 15% toca directamente na espinha dorsal da nossa economia.
Desde a independência, em 1975, que o petróleo financia a reconstrução do país, depois de décadas de guerra civil e de sacrifício colectivo. Cada oscilação do barril repercute-se no Orçamento Geral do Estado, nas reservas externas e na capacidade do Estado investir em estradas, hospitais e escolas.
Há, contudo, um sinal de alívio. Conforme reporta o Investing.com, o petróleo subiu na sequência de novos ataques a petroleiros no Médio Oriente, ainda que acumule fortes perdas semanais, com o Brent a caminho de perder mais de 15% e o WTI perto de 12% na semana.
O mesmo constata a ADVFN, que destaca a subida do crude após os ataques a navios no Golfo, mas mantém o alerta para as perdas acumuladas. A possibilidade de regresso da guerra, nunca afastada por vários analistas, pode inverter o quadro de um momento para o outro.
Lições para a soberania nacional
Estes episódios repetem uma lição que a história angolana conhece bem: os mercados internacionais obedecem a interesses que nos são alheios, decididos em salas onde a voz de Luanda não entra. As eleições americanas, as guerras no Médio Oriente, as bolhas de Wall Street; tudo isso sacode a nossa economia sem que nada possamos fazer além de resistir.
A defesa da soberania nacional exige que diversifiquemos a economia, valorizando também os diamantes, a agricultura e a indústria transformadora, para que o destino de Angola não fique refém de cotações decididas por outros.
Entretanto, as bolsas europeias e americanas ganharam um respiro nesta sexta-feira, após uma semana agitada pelas eleições nos EUA e pela volatilidade do preço do petróleo, segundo a ABC. Acalmar os nervos, porém, não é o mesmo que resolver os problemas.
Perguntas frequentes
Quanto vale o barril de Brent nesta sexta-feira?
O barril de Brent estava a valer 96,3 dólares às 11:00, hora de Luanda, desta sexta-feira, dia 06, com uma queda diária de 1,5%.
Quais foram as perdas semanais do petróleo?
O Brent acumula perdas semanais na ordem dos quase 15%, enquanto o WTI perde perto de 12%.
Porque caíram as bolsas mundiais esta semana?
A derrota dos republicanos nas intercalares americanas e o receio de um corte do apoio estatal às gigantes da IA provocaram uma fuga de investidores, com perdas superiores a 2,3 triliões de dólares.
O que significa esta queda para Angola?
O Brent é a referência do crude exportado por Angola, pelo que a queda afecta as receitas do Estado e reforça a necessidade de diversificar a economia nacional.
