Angola apresentou as suas potencialidades turísticas na World Travel Market (WTM) London, no Reino Unido, entre 3 e 5 de Novembro de 2026, com uma mensagem clara: o país não quer ser apenas mais um destino africano. O secretário de Estado para a Gestão de Activos e Concessões Turísticas, Josemar Afonso, chefiou a delegação angolana e afirmou que o objectivo é mostrar ao mundo aquilo que torna Angola diferente.
A participação angolana, noticiada pelo VerAngola, reuniu cerca de dez operadores turísticos nacionais e decorreu no centro de convenções ExCeL, em Londres. A comitiva foi acompanhada pelo embaixador de Angola no Reino Unido, José Gonçalves Martins Patrício, e pela directora-geral do Infotur, Allicía Santos.
Uma experiência africana diferente
Na conferência de imprensa sobre o destino Angola, realizada quarta-feira no âmbito da WTM London, Josemar Afonso falou para jornalistas de várias nacionalidades. Em representação do ministro do Turismo, Márcio Daniel, o governante apresentou o país como uma oportunidade de descoberta de uma experiência africana diferente, destacando a diversidade das paisagens, a riqueza cultural, a biodiversidade e o potencial para o desenvolvimento do turismo de natureza, aventura e experiências autênticas.
«Angola é um país que muitos já ouviram falar, mas que poucos tiveram a oportunidade de descobrir», disse Josemar Afonso.
O secretário de Estado foi directo sobre a ambição nacional. «Não queremos ser mais um destino africano. Queremos que o mundo descubra aquilo que torna Angola diferente», realçou, apontando os avanços na facilitação de vistos, na melhoria do ambiente de negócios, na qualificação do sector e na atracção de investimento privado.
A mensagem não é apenas retórica. A presença angolana em Londres insere-se numa estratégia mais vasta de afirmação da marca Visit Angola - The Rhythm of Life, que começa a ganhar espaço nos circuitos internacionais. A estreia do país na WTM London acontece num momento de crescimento do turismo angolano, com as chegadas internacionais a registarem um aumento de 27,9%, segundo dados divulgados pelo WTM London Hub.
Iona e Cuando no centro das atenções
A conferência contou também com a participação de operadores turísticos nacionais, que partilharam experiências e oportunidades do ecoturismo angolano. O destaque foi para o Parque Nacional do Iona e para a província do Cuando, através das experiências no acampamento Luina Plains Safari. A conversa foi conduzida por Hanna Kleber, parceira da promoção da marca Visit Angola.
O Parque Nacional do Iona, no Namibe, é o maior parque nacional do país e um dos principais activos naturais de Angola. A província do Cuando, no sudeste, começa agora a abrir-se ao turismo de natureza, com o Luina Plains Safari a posicionar-se como porta de entrada para um território de biodiversidade ainda pouco explorado.
Para os operadores nacionais, a WTM London representou uma oportunidade concreta de contacto com o mercado britânico e internacional. À margem da abertura do stand de Angola, operadores turísticos britânicos e outros profissionais do mercado estabeleceram contactos comerciais e parcerias com os operadores angolanos, com vista à integração e comercialização de produtos turísticos nacionais nos seus portefólios.
África no centro do palco
A participação angolana não aconteceu isolada. A WTM London 2026 reuniu países africanos que procuram afirmar-se no mercado global. Angola estreou-se este ano no certame, ao lado de destinos como o Suriname, o Brunei e a Albânia, que também marcaram presença pela primeira vez, de acordo com o Travel And Tour World.
A plataforma londrina tem sido um palco importante para os países emergentes reforçarem a visibilidade internacional e desenvolverem parcerias comerciais. Para Angola, o desafio é transformar o interesse despertado em Londres em fluxos turísticos reais e em investimento privado no sector.
A delegação angolana apresentou no certame a sua oferta turística, com enfoque na comercialização de pacotes e experiências que valorizam o património natural, cultural e histórico, bem como as oportunidades de investimento no sector. A abertura oficial do stand foi conduzida por Josemar Afonso, acompanhado pelo embaixador José Gonçalves Martins Patrício e por Allicía Santos.
Do petróleo ao turismo: uma nova frente
Angola construiu a sua economia sobre o petróleo e os diamantes, recursos que continuam a ser o pilar da economia nacional. A aposta no turismo não substitui essa base, mas abre uma nova frente de diversificação e de projecção internacional do país.
A mensagem transmitida em Londres é a de um país que quer controlar a narrativa sobre si próprio. Durante décadas, a imagem de Angola no exterior foi marcada pela guerra civil e pela reconstrução. Hoje, o país apresenta-se como um destino de natureza e cultura, com infra-estruturas e um sector privado em crescimento.
Ao mesmo tempo, a presença de operadores nacionais em Londres mostra que o sector começa a organizar-se para competir no mercado internacional. A qualificação do sector e a facilitação de vistos são passos necessários para que o país deixe de ser uma promessa e se torne um destino efectivo.
O mundo começa a olhar para Angola. A conferência de imprensa em Londres, a estreia na WTM e o interesse dos operadores britânicos são sinais de que a mensagem chegou. O próximo passo é transformar essa atenção em visitantes, investimento e postos de trabalho para os angolanos.
Perguntas frequentes
O que é a WTM London?
A World Travel Market London é uma das maiores feiras internacionais de turismo, realizada anualmente no centro de convenções ExCeL, em Londres, e que reúne operadores, investidores e governos de todo o mundo.
Quando decorreu a participação de Angola na WTM London 2026?
A participação angolana decorreu entre 3 e 5 de Novembro de 2026, com a abertura oficial do stand conduzida pelo secretário de Estado Josemar Afonso.
Quais foram os destinos angolanos destacados em Londres?
O Parque Nacional do Iona e a província do Cuando, através das experiências no acampamento Luina Plains Safari, foram os principais destinos apresentados pela delegação angolana.
Qual é o objectivo de Angola com a participação na WTM London?
Angola quer ampliar a visibilidade internacional do país, aproximar os operadores nacionais dos mercados emissores, estabelecer parcerias e despertar o interesse de investidores e viajantes por um destino que começa a ganhar espaço nos circuitos internacionais.
