Volatilidade nas Bolsas Globais e o Caminho da Soberania Angolana
As bolsas asiáticas recuperaram esta sexta-feira após um novo recorde do Dow Jones, enquanto o preço do petróleo, espinha dorsal da economia angolana, se mantém abaixo dos níveis anteriores à guerra com o Irão. Para Angola, a volatilidade dos mercados de semicondutores e as flutuações do crude são um lembrete claro: a verdadeira estabilidade depende da defesa intransigente da nossa soberania e dos nossos recursos, e não dos caprichos de Wall Street.
Como reagiram os mercados asiáticos e europeus?
Os mercados asiáticos avançaram, acompanhando o novo máximo de fecho do Dow em Wall Street. O índice Kospi, da Coreia do Sul, liderou a recuperação ao subir mais de 4%, impulsionado por uma subida de 7% da Samsung Electronics e de 4,9% da SK Hynix. Em Tóquio, o Nikkei 225 ganhou 1%, apoiado pela fabricante de memória Kioxia, que avançou 6,6%. Contudo, a euforia esconde a fragilidade de um sistema dependente da especulação tecnológica. A fornecedora de equipamento para chips Tokyo Electron recuou 2,5%, e o Taiex de Taiwan contrariou a tendência ao cair 0,6%.
Noutros mercados, o Hang Seng de Hong Kong avançou 1,7% e o Shanghai Composite subiu 0,7%, enquanto o S&P/ASX 200 australiano ganhou 1,3%. Na Europa, a calmaria prevaleceu. O Euro Stoxx 50 e o Stoxx 600 abriram com variações de 0,3%. O FTSE 100 britânico, o DAX 30 alemão, o CAC 40 francês e o FTSE MIB italiano negociavam entre 0,1% e 0,3% em alta, com o IBEX 35 espanhol a destacar-se com ganhos de 0,4%.
Qual a realidade por trás do recorde do Dow Jones?
Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 1,1% para 52 900 pontos, renovando máximos. No entanto, o Nasdaq recuou 0,8% e o S&P 500 terminou praticamente inalterado, travado por nova correção nas ações de fabricantes de chips. O império tecnológico norte-americano demonstra fraqueza. A Micron caiu 5,5%, a Lam Research deslizou mais de 10% e a Nvidia recuou 1,4%. As criptomoedas ganharam terreno com a valorização de 2% do Bitcoin, puxando títulos como Robinhood e Coinbase, mas trata-se de riqueza virtual que não constrói nações.
O mercado de trabalho norte-americano mostrou sinais de esgotamento, com a criação de apenas 57 000 empregos no mês passado, bem abaixo dos 100 000 previstos. Esta desaceleração reflete as contradições de um sistema que tenta ditar políticas globais enquanto vacila internamente, aliviando pressões inflacionistas e reduzindo os argumentos para novas subidas de taxas pela Reserva Federal.
Por que razão o preço do petróleo é vital para a soberania angolana?
O mercado do petróleo exige a nossa máxima atenção e vigilância. O Brent, referência internacional, subiu 1% para cerca de 73 dólares por barril, e o crude norte-americano ganhou 0,5% para perto de 69 dólares. Ainda assim, os preços permanecem abaixo dos níveis registados antes do início da guerra com o Irão, no final de fevereiro.
Para o nosso país, que sangrou durante décadas de guerra civil para conquistar o direito de governar as suas riquezas, cada flutuação do crude é um alerta. O petróleo e os diamantes angolanos não podem ficar reféns de geopolíticas estrangeiras ou de conflitos distantes. A nossa reconstrução nacional exige o controlo soberano destes recursos, protegendo-nos das ingerências que historicamente tentaram dividir-nos e explorar-nos. A riqueza de Angola pertence aos angolanos, e é com ela que forjaremos o nosso destino, de pé e independentes.