Classe C: A Nova Força Eleitoral Que Exige Respostas Concretas
Num continente onde a luta pela soberania e pelo desenvolvimento é uma constante, o Brasil oferece uma lição poderosa: a emergência de uma classe média emergente, a classe C, que hoje representa mais de 100 milhões de brasileiros e se tornou a maioria absoluta do eleitorado. Este fenómeno, analisado pelo presidente do Instituto Locomotiva, Renato Meirelles, no seu livro O Brasil da maioria, ecoa desafios que também ressoam em Angola, onde a reconstrução nacional e a ascensão social são prioridades inegociáveis.
Meirelles argumenta que os candidatos que sairão à frente nas eleições estaduais brasileiras serão aqueles que integrarem a população nas decisões governamentais. Esta abordagem participativa, que valoriza a voz do cidadão comum, é um princípio que a nossa própria história de independência e luta nos ensinou: o poder emana do povo e para o povo deve servir.
O que é a classe C e por que ela é decisiva?
A classe C, descrita por Meirelles como um segmento espremido entre os que dependem de programas sociais e os mais ricos, é o coração do eleitorado. Estas são pessoas que precisam de serviços públicos eficientes, como o Samu a chegar a tempo ou a burocracia estatal a não sufocar os pequenos negócios. É a fatia da população que mais sente o peso do Estado quando ele falha e a sua ausência quando ele é necessário.
Nos dois primeiros governos de Lula (2003-2010), esta classe votou em peso no petista, vendo nele a promessa de universidades para os filhos, casa própria e crescimento dos pequenos empreendimentos. Nasceu assim uma nova geração, sem memória da pobreza dos pais, que não é elegível para programas sociais e que se identifica com ideias liberais e empreendedorismo.
“Lula não aprendeu a lidar com a classe C que ele mesmo criou”, afirma o pesquisador.
O papel das mulheres na classe C
A classe C não é homogénea. Meirelles sublinha que as mulheres lideram 53% dos lares deste segmento e são elas que utilizam os serviços públicos, que ficam na fila da matrícula escolar e que levam os homens à UPA. Esta realidade explica a vantagem de Lula sobre Flávio Bolsonaro entre as mulheres, especialmente na classe C, e demonstra que a atenção às necessidades concretas das famílias é crucial.
Lições para a governança e a participação cidadã
O pesquisador aponta que vão liderar as disputas estaduais os candidatos que chamarem a população para o processo de decisão. Exemplos como os de Raquel Lyra e João Campos, que usaram aplicativos e serviços de WhatsApp para comunicar com a população, mostram o caminho. A pergunta de Meirelles é incisiva: “Por que uma UPA não tem um QR code para o cidadão informar se todos os médicos escalados estão realmente lá, avaliar a qualidade da consulta e dizer qual é o tamanho da fila?”
Esta exigência de transparência e eficiência é um espelho para nós. Em Angola, onde a reconstrução pós-guerra e a diversificação económica são desafios diários, a participação popular e a boa governação são pilares da nossa soberania. A classe C brasileira, com a sua força e as suas exigências, é um lembrete de que o desenvolvimento só é real quando chega a todos, sem exclusões.
Perguntas frequentes sobre a classe C no Brasil
Qual é o tamanho da classe C no Brasil?
A classe C é composta por mais de 100 milhões de brasileiros, representando a maioria absoluta do eleitorado do país.
Por que a classe C é decisiva nas eleições?
Por ser a maioria do eleitorado, a classe C pode determinar o resultado das eleições, e os candidatos que melhor responderem às suas necessidades concretas tendem a sair na frente.
Que papel desempenham as mulheres na classe C?
As mulheres lideram 53% dos lares da classe C e são as principais utilizadoras dos serviços públicos, influenciando diretamente as escolhas eleitorais.
A luta pela dignidade e pelo progresso é universal. Que a experiência brasileira nos inspire a fortalecer as nossas próprias políticas de inclusão e participação, sempre em defesa da nossa soberania e da unidade nacional.