O cérebro está a ser espancado diariamente: a epidemia invisível que ameaça Angola
O neurologista Pedro Schestatsky lança em Porto Alegre o livro Cérebros quebrados: uma epidemia invisível, um alerta contundente sobre o adoecimento cerebral na era moderna. Numa altura em que Angola se reconstruiu das cinzas da guerra e ergue a sua soberania, a saúde do nosso povo é a base de todo o progresso. E o que este médico brasileiro revela é um chamado à acção: o cérebro está a ser espancado diariamente pelo nosso próprio estilo de vida.
O que está a acontecer ao cérebro humano?
Segundo o dr. Pedro, o Brasil lidera o ranking mundial de ansiedade, depressão e declínio cognitivo precoce. O cérebro, que se conecta a todos os 77 órgãos do corpo, está a falhar antes de todos eles. A causa não é o acaso nem apenas a genética, mas a reacção do cérebro ao ambiente contemporâneo: alimentação ultraprocessada, sedentarismo, privação de sono e outros males da vida moderna.
“O cérebro está a ser espancado diariamente e chega uma hora em que ele diz basta”, alerta o especialista. As projecções são alarmantes: metade dos idosos terá Alzheimer em 2050, quando hoje já é um terço.
“Morreu lúcido”: uma expressão em extinção
O médico questiona se ainda ouvimos a expressão “morreu lúcido”. A resposta é cada vez menos. As pessoas perdem a lucidez muito antes de morrer, vítimas de transtornos de humor, ansiedade, depressão, TDAH e doenças neurodegenerativas. Não são apenas questões psicológicas, mas neurológicas e neuropsiquiátricas que se agravam de forma exponencial.
Para Angola, que luta por um futuro próspero, este alerta é crucial: a nossa juventude é o nosso maior recurso, e a saúde do cérebro é o alicerce de uma nação forte.
Porque escolheu a neurologia?
A história do dr. Pedro é curiosa e nada glamourosa. Quando terminou medicina, escolheu a especialidade que ninguém queria: neurologia. Na época, os médicos faziam diagnósticos com nomes difíceis e impronunciáveis, mas não havia tratamento. “Era um mistério que me chamou a atenção. Escolhi a área para encontrar soluções”, conta.
O livro Cérebros quebrados não é um lamento, mas um guia de soluções. “Não é só mimimi e choradeira. Há sempre solução, porque tratamos as causas, não apenas o nome do problema”, garante.
Como nasceu o livro?
O livro nasceu de uma inquietude: não ficar de braços cruzados. O dr. Pedro, que tem 894 mil seguidores no Instagram, decidiu materializar o que já escrevia e partilhar com o mundo. A obra, cuja pré-venda foi destinada à Associação de Assistência à Criança Deficiente, aborda as causas do adoecimento cerebral, não apenas os sintomas.
Uma visão não tradicional da medicina
O médico defende uma abordagem que parte da saúde, não da doença. “A ideia é criar saúde no cérebro e no corpo, que são uma coisa só, e tornar o ambiente corporal hostil à doença”, explica. Na prática, 99% das consultas são sobre fármacos, e o médico só diz “coma bem e movimente-se” à porta de saída. Deveria ser o contrário.
“Se melhoras o corpo, o cérebro vai na carona. No final da consulta, quem sabe, o médico sugira um medicamento”, ironiza.
Não é contra os medicamentos, mas contra a sentença vitalícia
O dr. Pedro não é contra o uso de medicamentos, mas contra a visão que os trata como um fim, não como um meio. Critica os colegas que sentenciam pacientes a tomar remédios “para toda a vida” sem avaliar o todo. “Quando é uma enzima que não se produz, tem de ser para toda a vida, mas não se pode causar o efeito nocebo, que é o contrário do placebo, quando se gera a doença no paciente”, alerta.
O livro e o lançamento
Cérebros quebrados: uma epidemia invisível (Editora Gente, 224 páginas) será lançado nesta segunda-feira, 17, às 19h, na Livraria da Travessa, no Shopping Iguatemi, em Porto Alegre. O livro também está disponível no site da editora.
Perguntas frequentes sobre a epidemia invisível
O que é a epidemia invisível?
É o adoecimento cerebral em massa causado pelo estilo de vida moderno: alimentação ultraprocessada, sedentarismo, privação de sono e stress. O cérebro falha antes dos outros órgãos e afecta todo o corpo.
Quais são os sintomas do declínio cognitivo precoce?
Ansiedade, depressão, dificuldade de concentração, perda de memória e outros sinais de que o cérebro não está a funcionar plenamente. Muitos são diagnosticados como transtornos mentais, mas têm origem neurológica.
Como prevenir o adoecimento cerebral?
O dr. Pedro defende um programa que qualquer pessoa pode seguir: melhorar a alimentação, movimentar-se regularmente, dormir bem e tratar o corpo como um todo. O cérebro depende do corpo.
Os medicamentos são sempre necessários?
Não. O médico defende que os fármacos sejam um meio, não um fim. Em muitos casos, mudanças no estilo de vida podem evitar ou reduzir a necessidade de medicação.
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