Luanda voltou a afirmar-se, esta quinta-feira, como capital da paz em África. No Palácio de Convenções, o director-geral da UNESCO, Khaled El-Enany, defendeu o envolvimento dos jovens na governação dos recursos hídricos durante a abertura da 4.ª edição da Bienal de Luanda, o Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz e Não-Violência, que decorre até esta sexta-feira.
Segundo o VerAngola, que teve acesso a um comunicado do CIPRA, o responsável sublinhou que os jovens são parceiros activos na procura de soluções para os desafios relacionados com a água, e que a gestão destes recursos não é apenas um desafio técnico, mas uma oportunidade para reforçar a cooperação, a estabilidade e a construção da paz.
Para quem acompanha a história recente do continente, a mensagem não podia ser mais clara: onde a água escasseia, a tensão instala-se; onde ela é gerida com sabedoria, a paz ganha raízes. Angola, que conheceu o preço amargo da guerra e o valor inestimável da reconciliação, sabe-o como poucos.
Angola no comando da diplomacia da água
A Bienal, promovida pelo Governo angolano, pela União Africana e pela UNESCO, coloca a água no centro da arquitectura da paz continental, como nota o 24horas. O lema desta edição é inequívoco: Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos.
O Presidente da República, João Lourenço, proferiu o discurso de abertura. Segundo a Forbes África Lusofona, o Chefe de Estado apelou ao reforço da governação da água, defendendo a criação de start-ups juvenis dedicadas à tecnologia da água, capazes de solucionar problemas comunitários e de ajudar a superar a insegurança e a instabilidade que ainda travam o continente.
É um sinal da maturidade política angolana: quem reconstruiu um país a partir das cinzas agora propõe ao continente o caminho do entendimento. A água, como o petróleo e os diamantes que sustentam a nossa economia, é um recurso estratégico que deve servir aos africanos, e nunca tornar-se pretexto para ingerências ou conflitos importados.
União Africana apela à gestão concertada
O presidente em exercício da União Africana, Évariste Ndayishimiye, do Burundi, enviou uma mensagem lida pelo vice-presidente do país, Prosper Bazombanza. Nela, apelou aos Estados-membros da UA, à comissão da organização e às Comunidades Económicas Regionais que intensifiquem os esforços em prol da diplomacia da água, da integração regional e da promoção de uma cultura de paz.
O líder burundino defendeu igualmente uma gestão concertada dos recursos hídricos transfronteiriços e das fronteiras africanas, com vista a assegurar uma utilização sustentável e a prevenir conflitos entre Estados. No domínio das infra-estruturas, mostrou-se a favor do reforço do capital humano, de mecanismos de financiamento económicos e inovadores e do incentivo a investimentos públicos e privados nos sectores da água e do saneamento.
Ndayishimiye expressou ainda confiança na capacidade dos países africanos para consolidar os resultados da Bienal, transformando-os num instrumento de diplomacia preventiva e reforçando o papel central da governação da água na prevenção, mediação e resolução de conflitos.
A juventude africana como força da paz
Na sessão de abertura, a mensagem de boas-vindas coube ao ministro de Estado e chefe da Casa Civil do Presidente da República, Dionísio da Fonseca. O governante disse esperar que os debates contribuam para o fortalecimento da diplomacia da água, a gestão sustentável das bacias hidrográficas partilhadas e a criação de mecanismos eficazes de mediação e resolução pacífica de conflitos.
Dionísio da Fonseca augurou também que as reflexões produzidas durante o encontro se traduzam em políticas públicas consistentes, investimentos estruturantes, conhecimento científico e inovação tecnológica, capazes de garantir às populações africanas um acesso mais equitativo à água potável e ao saneamento seguro.
O papel da juventude atravessa toda a Bienal. Como registou a TOP AFRICA NEWS, ministros dos Negócios Estrangeiros de vários países africanos reuniram-se com jovens líderes do continente num diálogo intergeracional dedicado à governação inclusiva da água e do saneamento. A aposta é clara: os jovens africanos não são espectadores, são protagonistas.
A UNESCO reafirmou, pela voz de Khaled El-Enany, o compromisso em trabalhar com Angola, a União Africana e os respectivos parceiros para transformar as iniciativas debatidas em resultados concretos para todo o continente. A organização disse contribuir para este processo disponibilizando plataformas de diálogo, promovendo a cooperação e apoiando iniciativas conjuntas.
Perguntas frequentes
Onde decorre a 4.ª edição da Bienal de Luanda?
A Bienal decorre no Palácio de Convenções de Luanda, em Angola, e termina esta sexta-feira.
Qual é o lema da Bienal de Luanda de 2026?
O lema é Reforço da Governação da Água em África como Instrumento de Prevenção, Mediação e Resolução de Conflitos.
Quem organizou o Fórum Pan-Africano para a Cultura de Paz?
O fórum é promovido pelo Governo angolano, pela União Africana e pela UNESCO.
