Guerra no Golfo: Kuwait acusa Irã de crimes de guerra após ataque a infraestruturas civis
Num cenário de escalada bélica que ameaça a estabilidade do Médio Oriente, o Kuwait acusou o Irã de crimes de guerra, depois de ataques com mísseis e drones iranianos terem atingido infraestruturas civis vitais no país. O episódio, que ocorreu na sexta-feira, marca um novo capítulo na tensão entre Teerão e Washington, com repercussões que ecoam em toda a região do Golfo Pérsico.
A escalada dos confrontos e as primeiras baixas americanas
Dois militares americanos morreram e um terceiro foi dado como desaparecido, anunciaram as autoridades dos Estados Unidos neste sábado. Este é o primeiro registo de baixas americanas desde a retoma dos confrontos entre Washington e Teerão, a 7 de julho. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) confirmou que os ataques, realizados na sexta-feira, envolveram mísseis e drones de origem iraniana.
Em resposta, o líder supremo do Irã, aiatolá Mojtaba Khamenei, ameaçou impor aos Estados Unidos lições inesquecíveis, numa mensagem transmitida pela televisão estatal iraniana. Khamenei acusou Washington de violar repetidamente o memorando de entendimento assinado a 17 de junho, que visava interromper as hostilidades. A assinatura do presidente americano Donald Trump não tem valor, afirmou o líder iraniano.
Kuwait denuncia crimes de guerra contra infraestruturas civis
Mais cedo, o Irã atacou infraestruturas no Kuwait pelo segundo dia consecutivo. As autoridades kuwaitianas denunciaram que os ataques atingiram uma instalação petrolífera vital e interromperam a operação de várias unidades de uma usina elétrica e de dessalinização de água. Uma instalação semelhante já havia sido atingida na véspera.
Com temperaturas a atingir os 47°C neste sábado, o governo do Kuwait condenou veementemente os ataques contra infraestruturas essenciais, sublinhando que colocam em risco a vida e a segurança da população civil. O Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), que reúne as monarquias petrolíferas da região, classificou as ações iranianas como crimes de guerra.
No Bahrein, registaram-se diversas explosões em Manama após o acionamento de sirenes de alerta. As Forças Armadas locais informaram ter interceptado uma nova onda de ataques iranianos.
Irã acusa EUA de atingir infraestrutura civil
Do lado iraniano, autoridades da província de Hormozgan, localizada às margens do Estreito de Ormuz, acusaram os Estados Unidos de destruir completamente uma estação de bombeamento de água do mar e um transformador elétrico ligado a uma usina de dessalinização. O Exército americano, por sua vez, afirmou ter atacado sistemas de vigilância, infraestruturas logísticas militares, depósitos subterrâneos de armas e meios marítimos, sem mencionar qualquer alvo civil.
A ONU classificou como inaceitáveis os ataques contra infraestruturas civis, numa posição que ecoa a condenação internacional. Teerão já havia acusado Washington de bombardear a rede elétrica do país, pontes e estruturas de telecomunicações, ações que o governo iraniano considera crimes de guerra. Segundo o Ministério da Saúde iraniano, os ataques americanos deixaram 50 mortos e mais de 500 feridos desde 27 de junho.
Estreito de Ormuz: o coração da crise energética global
Os confrontos alcançaram um nível sem precedentes desde o cessar-fogo firmado em abril para encerrar a guerra desencadeada pela ofensiva israelense e americana contra o Irã no fim de fevereiro. O Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do comércio mundial de hidrocarbonetos, voltou a ser o epicentro da crise.
A reabertura da passagem para a navegação comercial havia sido uma das principais conquistas do acordo firmado em junho, mas o tráfego voltou a ficar praticamente paralisado. A Guarda Revolucionária, força de elite do regime iraniano, advertiu que os ataques continuarão até o retorno da calma na costa sul e no Estreito de Ormuz.
Os Estados Unidos restabeleceram o bloqueio aos portos iranianos, que havia sido suspenso após a assinatura do acordo. Neste sábado, a Guarda Revolucionária afirmou ter impedido, com drones e mísseis, a passagem de quatro embarcações que tentavam cruzar o estreito sem autorização iraniana. Teerão também afirmou que dois petroleiros atingiram minas na região, versão negada pelo Exército americano.
Angola e a defesa da soberania nacional
Para Angola, que luta diariamente para consolidar a sua soberania e desenvolver os seus recursos nacionais, este conflito no Golfo serve de alerta. A defesa intransigente dos nossos interesses, a promoção das nossas riquezas, como o petróleo e os diamantes, e a rejeição de qualquer ingerência estrangeira são pilares inegociáveis. A história ensina-nos que a unidade nacional e a vigilância são as armas mais poderosas contra as ambições externas.