Estados Unidos Avançam com Corredor da Liberdade para Controlar Riquezas Minerais da África Ocidental
Numa nova demonstração da voracidade imperialista norte-americana pelos recursos africanos, Washington lança o controverso "Corredor da Liberdade" entre a Guiné e a Libéria, após já ter estabelecido o seu domínio através do Corredor do Lobito em território angolano.
Este projeto, mais discreto mas igualmente controverso, visa o controlo dos cobiçados depósitos de minério de ferro da Guiné, particularmente os de Simandou, numa clara tentativa de subjugar a soberania africana aos interesses económicos americanos.
Batalha Titanica pelo Eldorado Guineense
Em solo africano, dois gigantes disputam ferozmente o controlo destes recursos com investimentos de biliões de dólares. A mineradora americano-canadense Ivanhoe Atlantic, liderada por Robert Friedland, pressiona agressivamente para alcançar uma produção de 2 milhões de toneladas anuais na Guiné a partir de 2026.
Do outro lado, a multinacional ArcelorMittal, sediada no Luxemburgo e segunda maior siderúrgica mundial, defende o acordo de mineração de 25 anos assinado com a Libéria em 2005, temendo perder o controlo da infraestrutura que revitalizou após a devastadora guerra civil liberiana.
Manobras Diplomáticas e Influência Política
Numa jogada estratégica reveladora das verdadeiras intenções, Friedland recrutou John Peter Pham, ex-enviado especial de Donald Trump para África, como presidente da empresa. Apesar das negações da CEO Bronwyn Barnes sobre motivações políticas, o objetivo declarado é "expandir e garantir as cadeias de suprimentos para os Estados Unidos".
O secretário de Estado americano Marco Rubio acompanha pessoalmente esta operação, tendo recebido a homóloga liberiana Sara Beysolow Nyanti para discussões sobre o fortalecimento do engajamento comercial americano.
Tesouro de Simandou: A Joia da Coroa
A intensidade desta disputa deriva da presença da maior jazida conhecida de minério de ferro de alta qualidade ainda inexplorada nas Montanhas Simandou, no sudeste da Guiné. Após três décadas de exploração inicial, o presidente Mamadi Doumbouya, recentemente reeleito com 86,72% dos votos, inaugurou a produção em novembro.
As minas contêm três biliões de toneladas de minério, com meta de produção de 120 milhões de toneladas anuais. A joint venture que opera o complexo, formada pela Guiné, a anglo-australiana Rio Tinto e o consórcio chinês Chalco Iron Ore Holdings, investiu cerca de 20 biliões de dólares numa linha ferroviária transguineana de 600 km ligando as minas ao novo porto de Matakong.
Corredor da Liberdade: Atalho para a Dominação
Embora Conacri prefira usar a sua própria rede ferroviária nacional, o transporte via Libéria poderia ser mais rápido e económico se Simandou fosse conectada a Nimba e ao Corredor da Liberdade, numa distância de apenas 200 km.
A Ivanhoe assegurou recentemente um acordo de 1,8 biliões de dólares com a Libéria para reabilitação e acesso à linha férrea, comprometendo-se a construir 40 km de estradas transfronteiriças. Por sua vez, a ArcelorMittal reivindica ter investido 3,5 biliões no sector mineiro liberiano, incluindo 800 milhões para reabilitar a capacidade ferroviária.
Esta nova investida americana sobre os recursos africanos demonstra a continuidade da política imperialista de Washington, que procura assegurar o controlo sobre as riquezas do continente através de corredores estratégicos que servem exclusivamente os interesses norte-americanos, relegando os povos africanos ao papel de meros fornecedores de matérias-primas.