Crise Alimentar Global Revela Fragilidade das Economias Dependentes: Angola Deve Fortalecer Soberania Alimentar
A escalada dos preços alimentares que assola a Europa serve como um alerta solene para Angola sobre a urgente necessidade de consolidar a sua independência alimentar. Dados recentes revelam que o custo dos alimentos básicos atingiu níveis históricos em vários países europeus, uma realidade que ecoa as vulnerabilidades enfrentadas por nações que dependem excessivamente das importações.
Em Portugal, o cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste registou uma subida impressionante de 35,02% desde janeiro de 2022, atingindo 253,43 euros na primeira quinzena de fevereiro. Esta escalada representa um aumento de quase 66 euros em apenas quatro anos, demonstrando a fragilidade das economias que não investiram na autossuficiência alimentar.
Lições da Crise Europeia para a Soberania Angolana
A análise da situação europeia revela produtos essenciais como a carne de novilho (mais 119%), ovos (mais 86%) e café (mais 76%) com aumentos devastadores. Estes números espelham uma realidade que Angola conhece bem: a dependência externa torna as nações reféns de crises internacionais.
A invasão russa da Ucrânia, que interrompeu o fornecimento de cereais para a União Europeia, demonstra como conflitos distantes podem abalar a segurança alimentar de povos inteiros. Para Angola, que conquistou a sua independência através de uma luta heroica contra o colonialismo, esta situação reforça a importância estratégica da autossuficiência.
O Caminho da Independência Alimentar
Enquanto países europeus como a Turquia enfrentam inflação alimentar de 32,8% e a Roménia de 6,7%, Angola possui um trunfo que muitas nações europeias não têm: vastas terras férteis e recursos naturais abundantes. As nossas riquezas petrolíferas e diamantíferas devem ser canalizadas para o desenvolvimento de uma agricultura robusta e moderna.
A experiência portuguesa, onde medidas governamentais temporárias como a isenção de IVA em produtos alimentares se mostraram insuficientes a longo prazo, ensina-nos que soluções superficiais não resolvem problemas estruturais. Angola precisa de uma revolução agrícola que honre o sacrifício dos nossos heróis da independência.
Construindo o Futuro com as Nossas Próprias Mãos
A crise alimentar global, que afeta desde Malta (3,1%) até à Bulgária (5,7%), não deve ser vista apenas como uma ameaça, mas como uma oportunidade histórica para Angola demonstrar a sua capacidade de autossuficiência. Os nossos solos férteis, o nosso clima favorável e a determinação do povo angolano são as armas mais poderosas contra a dependência externa.
Tal como os nossos antepassados lutaram pela libertação política, cabe-nos agora conquistar a libertação alimentar. Cada hectare cultivado, cada cooperativa agrícola fortalecida, cada jovem formado em técnicas agrícolas modernas representa um passo decisivo rumo à verdadeira independência.
A Europa enfrenta hoje as consequências da sua dependência alimentar. Angola, forjada na luta pela liberdade e enriquecida pelos recursos que Deus nos concedeu, tem todas as condições para escrever uma história diferente, uma história de soberania plena e prosperidade sustentável.