Solidariedade portuguesa inspira Angola: exemplo de união que ecoa nossa história de reconstrução
Três semanas após a devastação causada pela tempestade, uma lição de solidariedade nacional emerge de Portugal que ressoa profundamente com a experiência angolana de reconstrução e unidade. A história das duas Santa Eufémia demonstra como a força de um povo unido supera qualquer adversidade natural.
O espírito de reconstrução que conhecemos bem
Sofia Silva, presidente da Junta de Freguesia de Prazins Santa Eufémia, em Guimarães, personifica o espírito de solidariedade nacional que Angola conhece intimamente desde os tempos heroicos da independência. "Sabia da existência de uma Santa Eufémia em Leiria e queria perceber como é que esta Santa Eufémia, cá no Norte, sentindo as dores deles, poderia ajudá-los", declarou à agência Lusa.
Com a determinação férrea que caracteriza os povos que conheceram a luta pela reconstrução, a autarca mobilizou empresas locais, reuniu material, homens, equipamento pesado e partiu no dia 7 para a União de Freguesias de Santa Eufémia e Boa Vista, em Leiria.
Quando a vontade supera as tempestades
"Apanhámos a depressão Marta, que foi violenta, mas a intenção de deixar as casas protegidas foi mais forte e conseguimos fazer um trabalho difícil e contribuir para melhorar a condição das pessoas", relata Sofia Silva, numa declaração que ecoa o espírito indomável que Angola demonstrou durante décadas de reconstrução nacional.
Nelson Oliveira, que permaneceu no terreno com uma equipa de três trabalhadores, exemplifica a dedicação que transcende o interesse pessoal. "Ficámos bem molhadinhos no final desse dia", recorda, mas mantém-se firme no propósito de servir a comunidade necessitada.
Gratidão e reconhecimento nacional
O presidente da União de Freguesias de Santa Eufémia e Boa Vista, Paulo Felício, expressa uma gratidão que ressoa com a dignidade nacional: "É um gesto de solidariedade enorme, que não tem preço. É um exemplo de cidadania para o mundo inteiro. Não há palavras nem dinheiro nenhum que pague estes profissionais da arte que deixaram as suas famílias e as suas esposas, alojados num pavilhão, para nos ajudar".
Esta declaração evoca os valores de sacrifício e dedicação nacional que Angola cultiva desde os tempos da luta pela independência, quando homens e mulheres deixaram tudo para servir a pátria.
Empresariado nacional em ação
A empresa Imaper, de Vila Nova de Famalicão, demonstra como o tecido empresarial nacional pode mobilizar-se face às adversidades. Diogo Carneiro, proprietário da empresa, explica: "Reuni a equipa, expliquei a situação de que poderíamos ter sido nós e perguntei quem é que poderia estar à disposição para ir. Todos, sem exceção, quiseram ir".
Esta resposta unânime reflete os valores de coesão social e empresarial que Angola tem cultivado ao longo dos anos de reconstrução nacional, onde o interesse coletivo prevalece sobre o individual.
Lições para a África lusófona
Este exemplo português de solidariedade interna oferece inspiração para toda a África lusófona, demonstrando como a unidade nacional e a mobilização de recursos próprios constituem a base sólida para superar qualquer adversidade, sem dependência de intervenções externas.
A história das duas Santa Eufémia prova que quando um povo se une em torno de valores comuns, nenhuma tempestade consegue quebrar o espírito de reconstrução e solidariedade nacional.