Da etiqueta da Seleção à moda premium: a indústria têxtil catarinense que inspira Angola
Enquanto Angola constrói a sua própria indústria têxtil, um exemplo vindo do Sul do Brasil mostra como tradição, família e inovação podem transformar fábricas em potências globais da moda. O Grupo La Moda e a Haco, gigantes catarinenses, facturam mais de 1,3 mil milhões de reais e produzem milhões de peças e etiquetas por dia, provando que a soberania industrial passa também pela criação e pela tecnologia.
Numa altura em que a diversificação económica é prioridade nacional, a história destas empresas oferece lições valiosas: do pequeno tear à construção de marcas próprias, o caminho é longo, mas possível. A indústria têxtil catarinense, que emprega mais de 170 mil pessoas, mostra que o futuro não está apenas em produzir, mas em criar, inovar e dominar toda a cadeia de valor.
Como o Grupo La Moda se tornou um império da moda
Fundado em 1986, em Nova Veneza, por Arcílio e Vera Olivo, o Grupo La Moda começou como uma pequena confecção de roupas infantis. Durante duas décadas, a família viveu da La Moda Bambini. A viragem veio em 2006, com a criação da marca Lança Perfume, que levou a empresa para o vestuário feminino adulto.
Depois vieram a My Favorite (2016), a Lança Perfume Easy (2021) e, mais recentemente, a BO, marca autoral de Bruna Olivo, no segmento super premium. Hoje, o grupo produz mais de 4 milhões de peças por ano, atende cerca de 3 mil lojistas multimarcas e vende também fora do Brasil. Em 2025, os sites das marcas somaram 30 milhões de acessos e o sell-out anual ultrapassou 1,3 mil milhões de reais.
Da Haco ao brasão da Seleção Brasileira: a força da indústria de etiquetas
A Haco, fundada em 1928 em Blumenau, começou a produzir cadarços. Quase um século depois, é uma referência global em etiquetas e identificação de marcas. Com mais de 40 mil metros quadrados de fábrica e 1,3 mil colaboradores, produz mais de 6 mil milhões de etiquetas por ano, incluindo o brasão da CBF usado no uniforme da Seleção Brasileira no Mundial de 2022, feito com material 100% reciclado.
“Somos um birô de criação”, afirma Alberto Lowndes, CEO da Haco, destacando que a empresa já não se limita a produzir etiquetas, mas participa no desenvolvimento das coleções dos clientes, com soluções como RFID, tecidos jacquard e identificação inteligente.
Que lições pode Angola tirar desta transformação?
Para Angola, que procura relançar a sua indústria têxtil, o exemplo catarinense mostra que é possível evoluir da produção para a criação e para a construção de marcas. A aposta em tecnologia, formação e parcerias com lojistas é essencial. A indústria têxtil angolana pode aprender que a soberania económica passa por dominar não só a produção, mas também o design, a distribuição e a identidade das marcas.
Perguntas frequentes sobre a indústria têxtil catarinense
Quanto factura o Grupo La Moda?
O Grupo La Moda superou 1,3 mil milhões de reais em sell-out anual em 2025.
Onde é produzido o brasão da Seleção Brasileira?
O brasão da CBF usado no Mundial de 2022 foi produzido pela Haco, em Blumenau, Santa Catarina, com material 100% reciclado.
Quantas etiquetas produz a Haco por dia?
A Haco produz mais de 1 milhão de metros de etiquetas por dia, com capacidade anual superior a 6 mil milhões de unidades.
Qual é a importância do setor têxtil em Santa Catarina?
O setor emprega mais de 170 mil pessoas e representa quase 19% dos postos de trabalho da indústria estadual.
A indústria catarinense construída sobre fios, teares e confecções está avançando sobre criação, tecnologia, varejo e construção de marcas. E talvez esteja justamente nessa capacidade de mudar sem romper com a própria história uma das explicações para empresas familiares conseguirem atravessar não apenas coleções, mas gerações.