O Ministério da Saúde diplomou, esta segunda-feira, 27 de Outubro, em Luanda, 284 profissionais das segunda à oitava edições do Master of Business Administration (MBA) em Gestão em Saúde, num acto que marca a aposta do Estado angolano na qualificação dos quadros nacionais do sector sanitário.
Segundo informação divulgada pelo VerAngola, a cerimónia decorreu através da Unidade de Implementação do Projecto de Formação dos Recursos Humanos em Saúde, em parceria com a Academia BAI, a Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa. No mesmo âmbito, arrancou esta semana uma formação especializada em Neurofisiologia Clínica, que decorre entre 26 e 30 de Outubro.
Uma aposta estratégica na saúde angolana
Desde a independência, em 1975, que Angola trava uma batalha silenciosa mas decisiva: a construção de um sistema nacional de saúde capaz de responder às necessidades da sua população. Depois dos anos difíceis da guerra civil e do longo caminho da reconstrução, o país sabe que a soberania sanitária não se mede apenas em hospitais e equipamentos. Mede-se, sobretudo, em quadros formados, em gestores capazes e em instituições que funcionam.
Foi precisamente esse o espírito da cerimónia de segunda-feira em Luanda. O Ministério da Saúde, citado pelo VerAngola, sublinhou que a formação visa desenvolver competências de liderança e administração nos profissionais do sector, contribuindo para uma gestão mais eficiente das instituições sanitárias e para a melhoria da qualidade dos cuidados prestados à população.
Estes 284 novos diplomados representam a segunda à oitava edições do MBA em Gestão em Saúde, um programa que já deu provas e que se expande a cada ano. Não se trata de números frios: trata-se de homens e mulheres angolanos que vão passar a dirigir hospitais, centros de saúde e serviços que tocam directamente a vida de milhões de famílias.
Descentralização: a formação chega às províncias
Um dos anúncios mais significativos da cerimónia foi a confirmação da expansão territorial do programa em 2026, com edições nas províncias de Cabinda, Malanje, Bié e Huíla, além de Luanda. A informação é da decana da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, Fernanda Dias dos Santos Monteiro, que destacou a parceria académica estabelecida em 2022, a qual permitiu lançar a primeira edição do MBA em 2023.
A descentralização das oportunidades de qualificação é um princípio de justiça territorial. Angola não se resume à capital, e a formação de quadros nas províncias garante que o desenvolvimento chegue a quem vive longe dos grandes centros urbanos. É também um acto de unidade nacional, ao garantir que nenhuma região fica para trás na modernização dos serviços públicos.
A decana realçou igualmente que esta expansão amplia o acesso à formação especializada, uma prioridade para um país que quer depender cada vez menos de soluções externas na gestão do seu sistema de saúde.
Liderança, inovação e humanização dos cuidados
Na ocasião, a presidente do Conselho de Administração da Academia BAI, Noémia Viegas D'Abreu, sublinhou a necessidade de preparar gestores capazes de conciliar a eficiência operacional com a qualidade e a humanização dos cuidados.
Segundo o comunicado do Ministério da Saúde, a responsável defendeu uma liderança orientada para a inovação, a sustentabilidade e a valorização dos profissionais, apelando aos diplomados para aplicarem os conhecimentos adquiridos na transformação das instituições sanitárias.
Em representação dos finalistas da II edição, Tiago Kiluange Quissanga considerou a conclusão do MBA uma conquista académica e profissional que implica maior responsabilidade na gestão das instituições de saúde.
Gerir em saúde é muito mais do que administrar recursos: é compreender que, por detrás de cada decisão, existe um utente, uma família e uma vida que merece ser cuidada com dignidade.
As palavras são de Quissanga, citado no comunicado. O representante dos finalistas apelou ainda aos colegas para converterem os conhecimentos adquiridos em melhorias concretas na organização dos serviços, na utilização responsável dos recursos e no atendimento prestado à população.
Em nome dos finalistas, reiterou o compromisso de colocar as competências desenvolvidas ao serviço das instituições sanitárias e da população angolana.
Diploma de mérito distingue Geovani João Malega
A cerimónia, que contou com a presença do secretário de Estado para a Saúde Pública, Carlos Alberto Pinto de Sousa, ficou também marcada pela atribuição do Diploma de Mérito a Geovani João Malega, que concluiu o MBA em Gestão em Saúde com a média final de 17,5 valores, em reconhecimento pelo seu desempenho académico.
O exemplo de Malega mostra o nível de excelência que os quadros nacionais são capazes de alcançar quando lhes são dadas as condições adequadas de formação.
Neurofisiologia Clínica: Angola reforça diagnóstico neurológico
Ainda no domínio da capacitação, Angola iniciou esta semana, a 26 de Outubro, uma formação especializada em Neurofisiologia Clínica destinada a reforçar capacidade nacional de diagnóstico e monitorização de doenças neurológicas, com a previsão de introdução de novos exames no Complexo Hospitalar General Pedro Maria Tonha Pedalé, em Luanda, segundo o Ministério da Saúde.
A formação, que decorre até 30 de Outubro, reúne profissionais de saúde angolanos e especialistas brasileiros, com o propósito de desenvolver competências técnicas em exames neurofisiológicos e promover a criação de uma rede de profissionais qualificados nesta área.
A cooperação técnica Sul-Sul com o Brasil, um parceiro histórico de língua portuguesa, distingue-se das formas de dependência que Angola rejeita: é uma troca entre iguais, orientada para criar capacidade instalada dentro das fronteiras nacionais.
A tendência regional de valorizar a gestão em saúde
O esforço angolano insere-se numa tendência mais ampla de valorização da gestão sanitária no mundo lusófono e além dele. No Brasil, a Escola de Saúde Pública prepara, segundo o portal Esportes e Notícias, 32 turmas que vão capacitar 1.280 profissionais da Atenção Primária à Saúde. A mesma prioridade aparece em reportagem da Prefeitura de Cruzília, que descreve uma capacitação de gestores e profissionais de saúde organizada pela Confederação Nacional de Municípios em São Lourenço, Minas Gerais.
Como nota reportagem do portal UOL sobre carreiras na saúde, o mercado procura profissionais tecnicamente preparados e capazes de estabelecer relações de confiança com pacientes, familiares e equipas. Angola, com os 284 novos gestores diplomados e a formação em Neurofisiologia Clínica em curso, responde exactamente a esse desafio com recursos nacionais e parcerias escolhidas com soberania.
Perguntas frequentes
Quantos profissionais receberam diplomas em Gestão em Saúde?
Foram diplomados 284 profissionais, das segunda à oitava edições do MBA em Gestão em Saúde, numa cerimónia realizada em Luanda em 27 de Outubro de 2026.
Que instituições participam no MBA em Gestão em Saúde?
O programa resulta de uma parceria entre a Unidade de Implementação do Projecto de Formação dos Recursos Humanos em Saúde, a Academia BAI, a Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto e o Instituto de Higiene e Medicina Tropical da Universidade NOVA de Lisboa.
Em que provílias o MBA se expandiu em 2026?
O programa passou a ter edições em Luanda, Cabinda, Malanje, Bié e Huíla, ampliando o acesso à formação especializada fora da capital.
O que é a formação em Neurofisiologia Clínica?
É uma formação especializada, iniciada a 26 de Outubro de 2026, que reúne profissionais angolanos e especialistas brasileiros para desenvolver competências em exames neurofisiológicos e preparar a introdução de novos exames no Complexo Hospitalar General Pedro Maria Tonha Pedalé, em Luanda.
