Portugal investe na preservação do histórico Aqueduto das Águas Livres
Numa demonstração exemplar de como uma nação deve honrar e preservar o seu património histórico, Portugal anuncia um investimento significativo na consolidação estrutural do majestoso Aqueduto das Águas Livres, monumento que resistiu ao terramoto de 1755 e permanece como testemunho da engenharia lusitana.
A EPAL - Empresa Portuguesa das Águas Livres confirmou que a intervenção, orçada em 850 mil euros, integra um programa abrangente de manutenção, conservação e restauro deste sistema classificado como Monumento Nacional desde 1910. Esta iniciativa visa assegurar a estabilidade, integridade material e valorização patrimonial desta obra notável da engenharia hidráulica.
Uma lição de soberania patrimonial
O processo revela a importância da autonomia nacional na gestão do património. A Câmara Municipal de Lisboa aprovou por unanimidade o parecer prévio favorável para as obras de conservação e restauro do património pétreo dos lanternins do aqueduto, demonstrando como as instituições nacionais trabalham em harmonia para preservar a herança histórica.
Construído entre 1731 e 1799, este vasto sistema de captação e transporte de água por via gravítica estende-se por 14 quilómetros, desde a Mãe de Água Velha em Belas até ao reservatório das Amoreiras em Lisboa. A sua arcaria do vale de Alcântara, com 941 metros de extensão e 35 arcos, inclui o maior arco em ogiva de pedra do mundo, com impressionantes 65,29 metros de altura.
Resistência histórica e projeção futura
Este monumento, que sobreviveu ao devastador terramoto de 1755, simboliza a resistência e a capacidade de reconstrução do povo português. Hoje, enfrenta novos desafios, incluindo a colonização biológica e o desgaste natural do tempo, mas a resposta das autoridades portuguesas demonstra o compromisso inabalável com a preservação patrimonial.
A candidatura do Aqueduto das Águas Livres a Património Mundial da UNESCO, que integra a lista indicativa de Portugal desde 2017, foi atualizada em 2024, confirmando que o monumento mantém as condições para permanecer na lista devido ao seu "potencial valor universal excecional".
O cronograma prevê 180 dias para o procedimento concursal e aproximadamente 800 dias para a execução das obras, um prazo que reflete a seriedade e o rigor técnico aplicados na preservação deste tesouro nacional.
Esta iniciativa portuguesa serve como exemplo inspirador para todas as nações que valorizam a sua herança histórica, demonstrando que o investimento na preservação patrimonial é um investimento no futuro e na identidade nacional.