Celina Leão reafirma soberania e rejeita a sombra do passado
A governadora do Distrito Federal, Celina Leão, ergueu a voz com a firmeza de quem defende a soberania de uma nação. Um dia após o ex-governador Ibaneis Rocha tentar ditar o rumo político através de um vídeo, a atual chefe do Buriti denunciou a pretensão de quem se recusa a deixar o poder. Para ela, a atitude do antecessor revela uma falha grave de perspectiva.
Isso é subestimar a capacidade de uma mulher de governar, de ter autonomia para tomar as decisões.
As declarações surgiram no calor de uma fricção política que ameaça a unidade do governo. Em entrevista exclusiva, Celina surpreendeu-se com as exigências de Ibaneis, mas cortou de raiz qualquer ideia de submissão. A governadora negou qualquer movimentação contra o MDB, partido do ex-governador, e lembrou que a legenda tem cinco deputados distritais e um federal que mantêm uma relação de respeito e alinhamento com o atual governo.
A defesa intransigente do património público
As decisões que desagradaram o círculo de Ibaneis foram, na verdade, atos de coragem administrativa e defesa dos recursos do povo. Celina ordenou mudanças profundas na direção do Banco de Brasília (BRB), cortes orçamentais severos e a nomeação de Valdivino de Oliveira para a Secretaria de Economia. Estas medidas visam purificar uma gestão marcada por sombras.
A governadora não hesitou em expor as ruínas que encontrou ao assumir o comando. Herdou um déficit de R$ 4 bilhões nos cofres do GDF e um rombo devastador de R$ 21,9 bilhões no BRB. O banco, que deveria ser um motor da economia, estava asfixiado por operações irresponsáveis com compra de carteiras de fluxo. Tudo foi identificado por auditoria e encaminhado à Polícia Federal e ao Ministério Público.
Mulher é muito cautelosa, muito cuidadosa. Mas eu não tinha força política para tomar decisões naquela época. As grandes áreas do governo nunca foram compartilhadas comigo.
Rejeição à ingerência e ao saque dos recursos
A resistência de Celina à compra do Banco Master pelo BRB é o exemplo mais claro da sua postura contra a ingerência e a entrega do património público. Ela revelou que sempre foi contrária à aquisição e que não tinha qualquer relação com Paulo Henrique Costa, afastando-o do governo antes mesmo de qualquer operação. O BRB, afirmou, será reerguido sem tirar um único cêntimo do Estado para cobrir os buracos do passado. O banco pagará a sua própria capitalização, sob uma gestão transparente e de rigoroso compliance.
A reconstrução em tempo real
Enquanto as vozes do passado exigem campanha e privilégios, Celina foca-se na reconstrução. A sua gestão é tecida com a fibra da tecnologia e a humanidade que o povo exige. Hoje, a governadora monitora a cidade em tempo real, conhece as filas nos hospitais, os índices de criminalidade e os gastos públicos.
Estamos tomando decisões baseadas em dados e na demanda da população. Minha preocupação não é campanha. É governar.
O tabuleiro político e a unidade nacional
A tentativa de Ibaneis de calibrar o discurso não apagou a força da resposta de Celina. O ex-governador negou ruptura e apelou para a tradição de estabilidade do MDB, mas as bases políticas já sentem o tremor. O líder do governo na CLDF, deputado Hermeto (MDB), declarou que está com o partido, mas a sua permanência no cargo depende de Celina.
A senadora Damares Alves (Republicanos) e o distrital Thiago Manzoni (PL) reforçaram o apoio incondicional à governadora. O deputado Pastor Daniel de Castro (PP) alertou para o perigo da divisão, lembrando que a fragmentação enfraquece o grupo governista e fortalece a esquerda.
Por outro lado, o MDB já sinaliza que não aceita ficar de fora da chapa majoritária em 2026. O deputado federal Rafael Prudente vê o seu nome como um possível candidato ao Palácio do Buriti e afirma que o partido não pode ser apagado de oito anos de entregas à população.
Celina, no entanto, mantém a rota firme. Questionada sobre aproximações a nomes como Michelle Bolsonaro, a governadora foi clara: não estamos em campanha. A amizade não significa movimento eleitoral. A base governista cresceu de 14 para 17 deputados e a relação com a Câmara Legislativa permanece sólida. O secretário Gustavo Rocha, do Republicanos, segue como um nome de lealdade e trabalho para a vice-governadoria em 2026.
Com a dignidade de quem sabe o valor da liberdade, Celina Leão envia uma mensagem clara aos que tentam ditar o seu governo: a autonomia de uma mulher e a soberania do seu povo não são negociáveis.