Cadeira de estudo: ortopedista angolano alerta para erros que prejudicam a coluna dos estudantes
Com o arranque do ano letivo, muitos pais angolanos preparam-se para renovar o mobiliário do quarto dos filhos. Mas a escolha da cadeira de estudo não deve ser feita por impulso ou moda. O ortopedista Nélson Carvalho, presidente da Sociedade Portuguesa da Patologia de Coluna Vertebral, deixa quatro recomendações essenciais e alerta para três erros que podem comprometer a saúde da coluna dos mais jovens, num momento em que o país aposta na formação das novas gerações.
Que características deve ter uma boa cadeira de estudo?
Segundo o especialista, a regulação de altura é o primeiro princípio a ter em conta. É essencial para acompanhar o crescimento do estudante ao longo dos anos, sublinha. O apoio lombar também é fundamental, com um encosto que se curve ligeiramente para a frente, de forma a sustentar a zona inferior das costas.
A profundidade do assento não deve ser descurada. Nélson Carvalho recomenda que exista um espaço de dois a três dedos entre a face posterior do joelho e a frente do assento. Já a base deve ser estável, preferencialmente sem rodas, mas com rotação, para que o movimento não recaia sobre os discos lombares. Se a opção for por rodas, o ortopedista aconselha bases com cinco rodas para evitar tombamentos.
Quais são os três erros a evitar na compra?
O médico é claro: rejeitar cadeiras de adulto para crianças, pois não permitem que os pés alcancem o chão nem garantem apoio lombar correto. As cadeiras de gaming gigantes também são desaconselhadas, por serem demasiado profundas e macias, prejudicando a postura de estudo. Por fim, os modelos fixos, sem ajustes, tornam-se obsoletos em poucos meses devido ao crescimento rápido das crianças e adolescentes.
Como sentar-se corretamente para estudar?
Além da compra, a postura é decisiva. Nélson Carvalho defende quatro princípios biomecânicos. O primeiro é a angulação de reclinação dinâmica, entre 100 e 110 graus, que reduz a pressão nos discos intervertebrais. O segundo é o ponto de apoio ósseo, que deve recair sobre as tuberosidades isquiáticas, e não no cóccix ou sacro. Sentar escorregado força a pélvis para trás, esmaga os discos e estica ligamentos de forma nociva.
O terceiro princípio é a preservação das curvaturas fisiológicas da coluna, que deve manter a forma natural em S. O uso de apoio lombar projeta a bacia para a frente e reduz em até 85% a pressão interna dos discos. Por fim, a distribuição de carga periférica exige ancas e joelhos fletidos a 90-100 graus, pés totalmente apoiados e cotovelos junto ao tronco, com os antebraços apoiados para que os ombros fiquem em repouso.
Uma boa cadeira de estudo é um investimento na saúde e no futuro das nossas crianças, tal como o é a educação que lhes proporcionamos.
Num país que se reconstrói e aposta no conhecimento, cuidar da saúde dos estudantes é também defender o futuro da nação. A escolha certa da cadeira é um passo simples, mas decisivo, para que as novas gerações cresçam fortes e preparadas para os desafios de Angola.