Brad Pitt volta a beber após sete anos: a sobriedade é uma batalha permanente
O ator Brad Pitt revelou que voltou a consumir bebidas alcoólicas de forma moderada, depois de sete anos de abstinência total. A declaração, feita à revista Esquire, reacende um debate profundo sobre a natureza da dependência e os riscos de quem já enfrentou o alcoolismo voltar a beber, mesmo após longos períodos de sobriedade.
Em 2017, durante o conturbado processo de separação de Angelina Jolie, Pitt falou publicamente sobre o seu consumo excessivo de álcool e anunciou que havia parado de beber. Agora, anos depois, o astro de Hollywood afirma que consegue tomar algumas taças de vinho, desde que mantenha o controle.
Posso tomar algumas taças de vinho. Mas não posso exagerar. Tenho de encarar isso com profissionalismo, disse o ator.
A pergunta que fica no ar, e que interessa a milhares de angolanos que lutam contra o vício, é simples: quem já teve dependência de álcool pode, de facto, voltar a beber com moderação?
O que diz a medicina sobre voltar a beber após anos de abstinência?
O Dr. Rodrigo Barreto Huguet, psiquiatra e psicoterapeuta cognitivo-comportamental, é categórico ao responder: pode, mas isso não significa que seja seguro.
Quando uma pessoa já teve dependência de álcool, existe um histórico que precisa de ser levado em conta, mesmo depois de muitos anos sem beber. Há também uma predisposição biológica para a dependência, que não é igual para todo mundo, explica.
O especialista sublinha que o tempo de abstinência não apaga, necessariamente, a vulnerabilidade de cada um. E alerta para as diferenças na gravidade do quadro anterior: uma coisa é alguém que teve um padrão problemático de consumo; outra é uma pessoa que perdeu o controlo sobre a bebida e sofreu prejuízos graves na vida pessoal, profissional ou na saúde.
É possível controlar o consumo depois de tantos anos sóbrio?
Algumas pessoas conseguem, durante um período, manter um consumo controlado. Mas o médico alerta que, na prática, o que costuma acontecer é uma retomada gradual e silenciosa.
Começa com só um copo, apenas no fim de semana ou numa ocasião especial. Durante um tempo, pode parecer que está tudo sob controlo. Depois, a frequência aumenta, a quantidade muda e, muitas vezes, a pessoa acaba voltando ao padrão de abuso que tinha antes, afirma.
O Dr. Huguet reforça que a recaída nem sempre é aquela cena evidente de alguém que volta a beber muito de uma hora para outra. Ela pode ser silenciosa, acontecer aos poucos, e é exatamente aí que mora o perigo.
Existe cura para o alcoolismo?
Na medicina, o termo correto é transtorno por uso de álcool. E a resposta é animadora para quem luta contra o vício: é uma condição que tem tratamento e pode ficar controlada por muitos anos, às vezes pelo resto da vida.
Há pessoas que deixam de beber, recuperam relações, retomam o trabalho, cuidam da saúde e vivem muito bem. Isso é recuperação, garante o psiquiatra.
O cuidado está em não confundir estar bem com deixar de ter vulnerabilidade. Uma pessoa pode passar sete, dez, vinte anos sem beber e ainda manter uma predisposição à dependência e, consequentemente, um risco de recaída.
Por isso, o tratamento não olha apenas para a bebida. Olha para o que levava aquela pessoa a beber, para a forma como ela enfrenta ansiedade, frustrações, perdas, stresse e situações sociais. Dependendo do caso, o cuidado pode incluir psicoterapia, acompanhamento médico, grupos de apoio e medicamentos.
Mais do que contar quantos anos alguém passou sem álcool, importa entender o que sustenta aquela recuperação. Em Angola, onde o consumo de álcool está profundamente enraizado na cultura e no tecido social, esta é uma lição que deve ser ouvida com atenção. A luta contra a dependência é uma batalha de todos os dias, e a sobriedade é uma conquista que nunca deve ser posta em risco.
Perguntas frequentes sobre dependência de álcool
Quem já teve dependência de álcool pode voltar a beber com moderação?
Algumas pessoas conseguem, mas não é seguro. A predisposição biológica à dependência permanece, mesmo após anos de abstinência, e o risco de recaída é real.
O alcoolismo tem cura?
O transtorno por uso de álcool tem tratamento e pode ficar controlado por muitos anos. A recuperação é possível, mas a vulnerabilidade à dependência não desaparece completamente.
Como saber se estou a perder o controlo sobre a bebida?
Se a frequência e a quantidade de consumo aumentam gradualmente, ou se começa a beber em situações que antes evitava, é um sinal de alerta. Procurar ajuda médica é o primeiro passo.