Brasil fora do pódio no segundo dia do Mundial de Judô em Baku
O judô brasileiro voltou a amargar um dia sem medalhas no Campeonato Mundial, disputado em Baku, no Azerbaijão. Nesta segunda-feira (5), as disputas das categorias meio-leve (até 52 kg feminino e até 66 kg masculino) terminaram com os atletas do Brasil eliminados, num resultado que contrasta com a força histórica do esporte no país.
Larissa Pimenta esbarra em lenda japonesa
No feminino, o Brasil apostava em duas atletas do Pinheiros (SP): a estreante Rafaela Rodrigues e a medalhista olímpica Larissa Pimenta. Bronze nos Jogos de Paris 2024, Pimenta entrou direto na segunda rodada, mas o sorteio a colocou diante da japonesa Uta Abe, campeã olímpica em Tóquio e pentacampeã mundial. Mesmo resistindo até o fim dos quatro minutos, a brasileira acabou derrotada por um waza-ari.
Rafaela Rodrigues cai no golden score diante de italiana
Rafaela, de apenas 19 anos, começou com vitória relâmpago sobre a sul-coreana Min-jeong Kim, aplicando um ippon em 58 segundos. Na segunda rodada, porém, a jovem paulista enfrentou a italiana Odette Giuffrida, atual campeã mundial e dona de duas medalhas olímpicas. A luta foi decidida no golden score: após sete minutos e 19 segundos, Rafaela recebeu a terceira punição (shidô) e foi desclassificada.
Japão domina e leva ouro em ambas as categorias
Uta Abe confirmou o favoritismo e conquistou o sexto título mundial ao vencer a espanhola Ariane Toro Soler também no golden score. O bronze ficou com a cubana naturalizada espanhola Ayumi Leiva Sánchez e com a própria Giuffrida. No masculino, o japonês Hifumi Abe, bicampeão olímpico, levou o quinto ouro ao derrotar o espanhol David García Torne. Os bronzes foram para o moldavo Denis Vieru e o japonês Takeoshi Takeoka.
Ronald Lima cai nas oitavas de final
Entre os homens, Ronald Lima, nono do ranking mundial, venceu o canadense Julien Frascadore na estreia, mas nas oitavas foi superado pelo experiente moldavo Denis Vieru, bronze olímpico em Paris, por um yuko. O brasileiro de 21 anos disputava o segundo Mundial da carreira.
Premiação milionária em jogo no Mundial
Além dos pontos no ranking e na corrida olímpica para Los Angeles 2028, o Mundial distribui prêmios generosos: 20.800 euros (cerca de R$ 115 mil) para os campeões, 12.000 euros (R$ 69 mil) para os vices e 6.400 euros (R$ 37 mil) para os terceiros colocados. Os treinadores também são recompensados, com valores entre 5.200 e 1.600 euros.
Para o Brasil, o resultado em Baku acende um alerta: a hegemonia japonesa segue firme, e a renovação do judô nacional precisa de respostas rápidas rumo a Los Angeles.