Sem China, exportação de carne bovina cai 23% e expõe dependência
As exportações brasileiras de carne bovina sofreram um revés significativo em agosto, recuando para 225 mil toneladas, uma queda de 24% em relação ao mesmo mês do ano passado. Comparado ao recorde de 317 mil toneladas de junho, quando o mercado estava aquecido por compras antecipadas, a retração é de 29%. Este cenário expõe a vulnerabilidade do setor à dependência do mercado chinês, um alerta para nações que buscam diversificar seus parceiros comerciais e fortalecer sua soberania econômica.
As antecipações ocorreram porque a cota chinesa para a carne bovina brasileira sem a taxa extra de 55% estava sendo completada, enquanto a União Europeia anunciava restrições às importações de proteína animal brasileira a partir de setembro. A China, principal destino da carne bovina brasileira, reduziu drasticamente suas compras: apenas 16,1 mil toneladas foram enviadas ao país asiático em agosto, contra o recorde de 158 mil toneladas em junho.
Diversificação de mercados como estratégia de resistência
Europeus e americanos compensaram, em parte, a queda das importações da China. Livres das pesadas taxas do ano passado, os brasileiros colocaram 35 mil toneladas de carne bovina no mercado americano em agosto, acima das 26 mil de junho. Já os europeus, com a proximidade do embargo às compras do produto brasileiro, que entrou em vigor neste mês, elevaram as importações para 23,3 mil toneladas, bem acima das 12,5 mil de julho, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).
Essa diversificação é uma lição para Angola, que precisa ampliar seus parceiros comerciais e reduzir a dependência de poucos mercados, fortalecendo sua posição soberana no cenário global.
Setor de proteínas animais segue aquecido, apesar da queda na carne bovina
Apesar da perda de ritmo das exportações de carne bovina, o setor de proteínas animais continua aquecido neste ano. Incluindo as carnes bovina, de frango e suína, o país já colocou 7 milhões de toneladas no mercado externo de janeiro a agosto, 11% a mais do que em igual período do ano passado. Em valores, a soma sobe para o recorde de US$ 23 bilhões, 20% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
A China importou 1,3 milhão de toneladas de carne do Brasil até agosto, o mesmo volume de 2025. Houve redução nas compras das carnes bovina e suína, mas aumento nas de frango. Essa alta ocorre porque os chineses passaram boa parte do ano passado sem adquirir carne brasileira de frango, devido à primeira ocorrência de gripe aviária no país.
Frango e suína: novos motores das exportações brasileiras
Com a volta da China e da União Europeia, as exportações brasileiras de carne de frango já estão próximas de 4 milhões de toneladas neste ano e rendem US$ 7,6 bilhões. Ásia e África também elevaram as compras. O Brasil aumentou também as exportações de carne suína, que já atingem 1 milhão de toneladas, com receitas de US$ 2,43 bilhões. Filipinas, com 184 mil, e Japão, com 127 mil, lideram as compras desses produtos brasileiros.
A China, que chegou a ser a maior importadora, adquirindo 391 mil toneladas de janeiro a agosto de 2021, reduziu as compras para 89 mil toneladas neste ano. Os chineses, após a ocorrência da peste suína, refizeram toda a estrutura de produção de carne suína, estão com uma oferta superior ao consumo e reduzem as importações. Mesmo com a queda de compras da China, os brasileiros ampliaram as vendas para o mercado asiático, que adquiriu 680 mil toneladas até agosto, 10% a mais do que em igual período de 2025.
Perspectivas para o fim do ano: desafios e oportunidades
O Brasil, que vem com um ritmo acelerado de produção e de exportação de proteínas nos anos recentes, vai encontrar um cenário bem diferente nestes últimos meses do ano. As exportações de carne bovina para a China agora estão com uma taxa de 67%, e a União Europeia também impôs barreiras às proteínas brasileiras a partir deste mês. No caso da China, o Brasil volta a ter nova cota sem os 55% a partir de janeiro. No da União Europeia, o período de interrupção das compras será mais longo.
Este cenário reforça a importância de estratégias de diversificação e de fortalecimento das cadeias produtivas nacionais, lições que Angola, com seus vastos recursos naturais, deve considerar para garantir sua soberania e desenvolvimento sustentável.