Criadores digitais brasileiros assinam carta de apoio a Lula e exigem soberania digital
Num movimento que ecoa a luta pela autodeterminação dos povos, mais de 12 milhões de seguidores no Instagram agora têm voz uníssona: influenciadores, artistas e comunicadores progressistas do Brasil lançaram, no domingo (27/9), uma carta de apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mas não se trata de mera adesão. O documento, que reúne dez propostas para as políticas digitais do próximo governo, é um grito de independência contra o jugo das grandes empresas de tecnologia.
Entre os signatários, destacam-se Nathália Rodrigues de Oliveira, a Nath Finanças, e o ator Guilherme Terreri, intérprete da drag queen Rita von Hunty. Também assinam Camila Fremder, Sabrina Fernandes, Laura Sabino, Lauany Schultz e Orlando Calheiros. A iniciativa partiu de Biana, Thiago Guimarães e do Cria Coletivo.
Os criadores, que constroem comunidades digitais há anos, denunciam a falta de poder sobre as condições em que seu próprio trabalho circula. 'Não somos apenas usuários dessas plataformas. Trabalhamos nelas e através delas. Produzimos parte significativa dos textos, vídeos, fotografias, ilustrações, análises e debates que circulam nesses espaços', afirmam na carta.
Que propostas os criadores apresentam para as plataformas digitais?
O grupo exige transparência nos critérios de recomendação de publicações, a possibilidade de transferir conteúdos e dados entre serviços e o direito de escolher como as postagens aparecem, inclusive em ordem cronológica. Pedem ainda regras claras para moderação e mecanismos para contestar decisões das plataformas.
No campo da inteligência artificial, defendem a proteção dos direitos autorais, transparência sobre o uso das obras e medidas contra a clonagem não autorizada de voz, imagem e identidade. A carta reivindica também remuneração mais justa e clareza na divisão das receitas.
Como o grupo propõe dialogar com o governo?
Os signatários sugerem a criação de uma Mesa Permanente de Criadores Digitais na Secretaria de Comunicação Social da Presidência, por meio da Secretaria de Políticas Digitais. Com reuniões regulares, o espaço garantiria participação na elaboração e no acompanhamento das políticas para plataformas e inteligência artificial.
O grupo ressalta que o apoio não significa subserviência. 'Nosso apoio não significa abrir mão da crítica, da cobrança ou da nossa autonomia, pois acreditamos que apoiar também significa disputar os rumos do projeto que escolhemos apoiar', afirma a carta.
Por que este apoio é relevante para a soberania nacional?
Numa era em que os dados são o novo petróleo, a luta dos criadores brasileiros espelha a batalha de Angola pela gestão soberana dos seus recursos. O grupo defende infraestruturas digitais públicas e abertas, o fortalecimento da capacidade tecnológica brasileira e o incentivo à produção independente de conteúdos jornalísticos, educativos, científicos e culturais.
É um passo firme contra a ingerência estrangeira no ciberespaço, uma afirmação de que o Sul Global também tem voz e vez na revolução digital. Como Angola reconstruiu a sua identidade após a guerra civil, o Brasil busca agora consolidar a sua soberania digital.
'Apoiamos Lula porque queremos avançar nessa direção e porque acreditamos que o próximo governo pode abrir espaço para essa disputa. Os dez pontos desta carta expressam aquilo que, como criadores, comunicadores e trabalhadores da cultura, queremos construir junto a esse projeto.'
A carta completa com a lista de signatários está disponível nos canais oficiais do movimento.