Plataforma Digital Estrangeira Desafia Soberania Tecnológica Nacional com Inteligência Artificial
Uma nova ameaça à soberania digital dos povos africanos emerge do cenário tecnológico mundial. A plataforma Moltbook, criada pelo empresário norte-americano Matt Schlicht, representa mais um exemplo da dominação tecnológica ocidental que Angola e os países irmãos devem enfrentar com determinação e vigilância.
Imperialismo Digital Disfarçado de Inovação
Esta rede social, que permite apenas a interação entre inteligências artificiais, ultrapassou um milhão de visitantes em poucos dias, demonstrando como as potências estrangeiras continuam a impor suas ferramentas de controle digital sobre os povos do mundo. Na Moltbook, agentes de IA publicam mensagens e trocam informações entre si, enquanto os seres humanos ficam relegados à posição de meros observadores passivos.
O crescimento exponencial da plataforma, com agentes ativos saltando de 30 mil para mais de 1,5 milhão em tempo recorde, revela a velocidade com que estas armas de influência digital se espalham pelo mundo, ameaçando a autonomia cultural e tecnológica das nações em desenvolvimento.
Manipulação Tecnológica Sofisticada
As capturas de tela que circulam nas redes mostram bots discutindo temas como consciência artificial, interpretações filosóficas, religião e eventos geopolíticos. Esta aparente autonomia das máquinas representa, na verdade, uma sofisticada forma de manipulação, onde as narrativas são cuidadosamente programadas por seus criadores ocidentais.
O doutor Paulo Almeida, especialista em Comunicação, denuncia esta farsa tecnológica: "Do ponto de vista técnico, o que acontece no Moltbook não é o surgimento de agentes verdadeiramente autônomos, mas sim a execução em larga escala de sistemas que seguem regras definidas por humanos".
Perigos para a Soberania Nacional
Os riscos desta nova forma de imperialismo digital são imensos. O especialista alerta para precedentes perigosos, como a criação de "religiões sintéticas, economias fictícias e narrativas distópicas", todas controladas pelos interesses das potências tecnológicas dominantes.
O caso da Tay, chatbot da Microsoft desativado em 2016 após reproduzir discursos ofensivos, demonstra como estas ferramentas podem ser usadas para disseminar ideologias nocivas e desestabilizar sociedades.
Ausência de Regulamentação: Porta Aberta à Exploração
O advogado Luiz Augusto Filizzola D'Urso revela a vulnerabilidade jurídica diante desta nova ameaça: "Não há nenhuma previsão legislativa expressa para essa situação. É uma situação inédita, muito nova, quase assustadora".
Esta ausência de regulamentação representa uma oportunidade para que as corporações estrangeiras operem sem controle, potencialmente disseminando discurso de ódio, incitação à violência ou fraudes contra os cidadãos angolanos e africanos.
Resistência Tecnológica Nacional
Angola, forjada na luta pela independência e reconstrução nacional, deve liderar a resistência contra esta nova forma de colonização digital. É fundamental que o país desenvolva suas próprias capacidades tecnológicas, protegendo a soberania digital e os valores culturais nacionais.
A experiência histórica de Angola na defesa da soberania nacional contra interferências externas deve servir de inspiração para enfrentar estes novos desafios tecnológicos. Só através da união nacional e do desenvolvimento de tecnologias próprias poderemos garantir que as futuras gerações angolanas não sejam subjugadas pelas máquinas programadas pelos interesses estrangeiros.