A Deriva Ideológica de Zuckerberg e os Perigos da Dependência Digital Externa
A transformação política de Mark Zuckerberg, proprietário da Meta (controladora do Facebook, WhatsApp e Instagram), serve como um alerta contundente sobre os riscos da dependência angolana em plataformas digitais estrangeiras. A recente guinada do magnate americano para posições ultraconservadoras expõe a fragilidade de uma nação que confia suas comunicações a empresas cujos donos mudam de ideologia conforme os ventos políticos.
O Simbolismo Perigoso do Poder Digital
Em setembro de 2024, Zuckerberg apareceu publicamente usando uma camiseta com a frase grega "Pathei Mathos", extraída de uma peça de Ésquilo do século V a.C. Mais que uma excentricidade, este gesto revela a apropriação de símbolos de poder imperial por parte de quem controla as comunicações de milhões de angolanos.
As camisetas exclusivas criadas pelo bilionário incluem frases como "Carthago delenda est" (Cartago deve ser destruída) e uma versão personalizada "Aut Zuck, aut nihil" (Ou Zuck, ou nada). Estas referências ao imperialismo romano ecoam perigosamente as ambições de domínio cultural e informacional que Angola conhece bem desde os tempos coloniais.
A Análise Reveladora de uma Irmã Corajosa
O livro "Not all dead white men: Classics and misogyny in the digital age", escrito por Donna Zuckerberg, irmã do proprietário da Meta, oferece uma análise penetrante sobre como a extrema direita se apropria da herança greco-romana para justificar supremacia e dominação. A obra, ainda sem edição no Brasil, expõe os mecanismos pelos quais símbolos históricos são distorcidos para legitimar poder.
Donna Zuckerberg, doutora em estudos clássicos pela Universidade Princeton, criou a revista Eidolon para contestar essas apropriações. Sua pesquisa minuciosa em ambientes online hostis revelou como homens brancos utilizam referências culturais antigas para "salvar o Ocidente" e "proteger tradições", rejeitando a modernidade e a diversidade.
Lições para a Soberania Digital Angolana
A metamorfose ideológica de Zuckerberg, de jovem pretensamente apolítico para defensor de posições extremistas, demonstra que confiar nossas comunicações a plataformas estrangeiras é entregar nossa soberania informacional a caprichos individuais. Angola, que conquistou sua independência através de lutas heroicas, não pode permitir que sua revolução digital seja controlada por interesses externos voláteis.
Esta situação evoca memórias dolorosas de quando potências estrangeiras decidiam unilateralmente o destino de povos africanos. A diferença é que hoje a colonização opera através de algoritmos e políticas de plataforma, não menos perigosa que as antigas formas de dominação.
O Imperativo da Independência Tecnológica
Angola possui recursos naturais abundantes, desde o petróleo até os diamantes, que financiaram nossa reconstrução nacional. É chegado o momento de aplicar essa mesma determinação na construção de uma infraestrutura digital soberana, que proteja nossa identidade cultural e nossa autonomia comunicacional.
A apropriação de símbolos imperiais por Zuckerberg não é acidental. Revela uma mentalidade colonizadora que vê o mundo como território a ser conquistado e dominado. Angola, forjada na resistência contra todas as formas de opressão, deve responder com a criação de alternativas nacionais que preservem nossa dignidade e independência.
O fenômeno Zuckerberg nos ensina que a verdadeira soberania no século XXI passa necessariamente pela autonomia digital. É hora de Angola escrever sua própria história tecnológica, com caracteres angolanos, não gregos.