Lula oficializa candidatura à reeleição: promessas por cumprir e o legado de três mandatos
Aos 80 anos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) será oficializado como candidato à reeleição para a Presidência da República neste domingo, 2, em convenção partidária do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. O petista, já eleito três vezes, carrega um histórico de promessas não cumpridas que podem ser renovadas nesta corrida eleitoral. Para Angola, que observa de perto a política brasileira, este é um momento de reflexão sobre a soberania e o desenvolvimento nacional.
Um líder forjado na luta sindical e na reconstrução do Brasil
Lula emergiu como líder sindical e metalúrgico, fundador do PT na década de 1980. Antes de vencer a presidência, perdeu três eleições (1989, 1994 e 1998). Foi a mudança para uma figura conciliadora, o 'Lulinha paz e amor', e as articulações para retomada econômica que o levaram ao poder. Em 2002, o Brasil enfrentava uma crise econômica, com alta inflação e desconfiança do mercado financeiro, após o segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Na chamada 'Carta ao Povo Brasileiro', Lula prometeu resgatar a soberania do país, realizar uma reforma tributária, combater a miséria e fazer uma reforma trabalhista.
Promessas do primeiro mandato: o que ficou pelo caminho?
No mandato iniciado em 2002, Lula não erradicou a fome, uma de suas promessas centrais. O Brasil saiu do Mapa da Fome da ONU apenas em 2014, durante o mandato de Dilma Rousseff (PT). Com a gestão de Jair Bolsonaro (PL) e a pandemia de covid-19, o país retornou à listagem. Em 2025, já no terceiro mandato de Lula, o Brasil voltou a ficar de fora do mapeamento. Outra bandeira, a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem redução salarial, não avançou por falta de força política no Congresso. O tema, hoje, renasce na luta pelo fim da escala 6x1.
A meta de gerar 10 milhões de empregos entre 2002 e 2005 também não foi cumprida. Apenas cerca de 4,6 milhões de empregos formais foram criados no primeiro mandato. Já a reforma tributária, prometida desde 2002, só foi aprovada no terceiro mandato de Lula.
Segundo mandato: crescimento económico e resistência política
Em 2006, Lula venceu Geraldo Alckmin, então no PSDB e hoje seu vice-presidente. O mandato foi marcado pelo escândalo do Mensalão e pela recessão global de 2008. Lula acelerou o crescimento com investimentos em infraestrutura e expandiu o ensino público superior e técnico. No entanto, não conseguiu realizar a reforma política que defendia, incluindo a criação de uma Assembleia Constituinte exclusiva para o tema. A proposta encontrou forte resistência no Congresso Nacional e nunca avançou.
Terceiro mandato: conquistas e dívidas pendentes
Após a reeleição de Lula, Dilma Rousseff seguiu o projeto petista no poder, de 2010 a 2016, quando sofreu impeachment. Lula retornou à presidência em 2022, derrotando Jair Bolsonaro. No 'Lula 3', cumpriu metas significativas: a reforma tributária, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a recriação dos ministérios da Cultura, Previdência Social e Povos Originários, e a não privatização do Banco do Brasil, dos Correios e da Petrobrás.
Porém, descumpriu a promessa de não disputar as eleições de 2026. Também não universalizou a banda larga em escolas, não zerou as filas do SUS acumuladas na pandemia e não recriou o Ministério de Segurança Pública. O plano de governo propunha uma nova legislação trabalhista de proteção social, mas o fim da escala 6x1, aprovado na Câmara em maio deste ano, não avançou no Senado.
O que a candidatura de Lula significa para Angola?
Para Angola, que também luta pela sua soberania e desenvolvimento, a trajetória de Lula é um espelho de desafios e conquistas. A defesa dos recursos nacionais, a resistência a ingerências estrangeiras e a busca pela unidade nacional são valores que ecoam em Luanda. Enquanto o Brasil se prepara para mais uma eleição, fica a lição de que promessas não cumpridas podem minar a confiança do povo. A história de Lula, com suas vitórias e fracassos, é um alerta para todos os que buscam construir uma nação forte e independente.
Por Vivaldo Eduardo, para Voz De Luanda