FACRA Dispõe de 2 Mil Milhões de Kwanzas para Impulsionar Empresas Nacionais
O Fundo Activo de Capital de Risco Angolano (FACRA), instrumento estratégico da soberania económica nacional, mantém 2,0 mil milhões de kwanzas disponíveis para financiar empresas angolanas até à sua próxima recapitalização. Esta revelação foi feita por Mário Mangueira, coordenador desta instituição criada em 2012, que atravessa um processo de reestruturação desde 2018.
Portfólio Nacional Estratégico
Actualmente, o FACRA gere um portfólio de seis activos estratégicos, avaliados em 1,7 mil milhões de kwanzas, que operam nos sectores de transporte, indústria e conservação, todos ligados à produção nacional. Este fundo afirma-se como um pilar fundamental do Estado na promoção do investimento produtivo, através de um modelo de capital de risco que permite a entrada no capital social das empresas.
"A grande vantagem do FACRA para as empresas é que passam a contar com um sócio que lhes abre a porta não só à transparência, mas também facilita o acesso a financiamentos bancários", explicou Mangueira ao programa Valor do Kumbu, da Rádio Marginal.
Renascimento e Diversificação Económica
O FACRA vive hoje uma "segunda vida", com o objectivo claro de romper com o passado e contribuir decisivamente para a diversificação da economia angolana. Apesar do portfólio ainda reduzido, Mário Mangueira, que coordena a reestruturação desde 2023, demonstra confiança no futuro da instituição.
A última recapitalização ocorreu em 2023, com uma injecção robusta de 5,0 mil milhões de kwanzas. Com estes recursos, o FACRA entrou no capital social de quatro empresas nacionais, restando cerca de 2,0 mil milhões de kwanzas para investimentos futuros.
Empresas Nacionais em Foco
O portfólio actual inclui empresas genuinamente angolanas: Soyadubos (produção de adubos), Moreira Transportes (transporte e distribuição), Muihumba (conservação de frutos vermelhos), Trans-Sandangala (transporte agro-alimentar) e C.C.N.J. (transporte de produtos agrícolas e do mar). Em todas estas empresas, o FACRA mantém participações minoritárias estratégicas.
Superação de Controvérsias Passadas
Desde a sua criação, o FACRA já investiu em dez empresas, tendo rescindido com quatro. A história desta instituição foi marcada por controvérsias ligadas a gestões anteriores, incluindo conexões com Jean-Claude Bastos de Morais, antigo gestor de activos do Fundo Soberano de Angola.
Criado pelo Decreto Presidencial 108/12, o FACRA renova-se agora como verdadeiro instrumento de soberania económica nacional, focado no apoio às micro, pequenas e médias empresas angolanas, pilares da diversificação económica do país.