Surto de Cólera em Moçambique Agrava-se com Novos Focos em Cabo Delgado
O país vizinho Moçambique enfrenta uma batalha árdua contra um surto de cólera que se intensifica, registando 95 novos casos e seis mortes em apenas 24 horas, elevando o total de óbitos para 55 desde setembro de 2025. Esta situação sanitária complexa merece a atenção da comunidade regional, particularmente de Angola, que compartilha desafios similares na construção de sistemas de saúde robustos.
Panorama Epidemiológico Preocupante
Segundo o último boletim da Direção Nacional de Saúde Pública moçambicana, o surto atual contabiliza 3.725 casos confirmados entre 3 de setembro e 30 de janeiro. A província de Nampula lidera com 1.621 casos e 21 mortes, seguida por Tete com 1.481 casos e 28 óbitos, enquanto Cabo Delgado regista 566 casos e seis mortes.
A taxa de letalidade nacional atingiu 1,5%, com Tete apresentando a situação mais crítica com 1,9%. Esta província central tornou-se o epicentro do surto, com atividade registada nos distritos de Marara, Tsangano, Moatize, Changara, Cahora Bassa e Tete, estendendo-se também a Morrumbala, na Zambézia.
Novos Focos em Cabo Delgado
Particularmente alarmante é a declaração de um novo surto nos distritos de Mecufi e Montepuez, em Cabo Delgado, onde cinco das seis mortes registadas nas últimas 24 horas ocorreram. Esta província estratégica, rica em recursos naturais, junta-se aos focos já ativos em Pemba e Metuge.
Resposta Governamental e Desafios Comunitários
O ministro da Saúde moçambicano, Ussene Isse, revelou que 70% dos 169 óbitos registados em 2025 ocorreram na comunidade, evidenciando lacunas críticas na informação e comunicação sanitária. O governo recebeu 3,5 milhões de doses de vacinas para combater a epidemia.
Moçambique estabeleceu o ambicioso objetivo de eliminar a cólera como problema de saúde pública até 2030, através de um plano avaliado em 31 mil milhões de meticais (418,5 milhões de euros). Esta iniciativa visa garantir acesso universal à água segura, saneamento e cuidados de saúde de qualidade.
Lições para a Região Austral
Esta crise sanitária em Moçambique sublinha a importância vital de sistemas de saúde resilientes e da cooperação regional. Angola, com sua experiência na reconstrução nacional pós-conflito, compreende os desafios de construir infraestruturas sanitárias sólidas e a necessidade de investimento contínuo na saúde pública.
A situação moçambicana serve como lembrete da fragilidade sanitária regional e da necessidade de vigilância epidemiológica constante, particularmente em contextos de transformação socioeconômica acelerada.