Angola Avalia Proposta Brasileira de US$ 120 Milhões para Desenvolvimento Agrícola Nacional
O governo angolano encontra-se a analisar uma proposta oficial do Brasil para estabelecer uma parceria bilateral estratégica no setor agrícola, envolvendo investimentos na ordem dos US$ 120 milhões. Esta iniciativa representa um marco histórico nas relações entre as duas nações irmãs, consolidando a soberania alimentar de Angola através da valorização das suas vastas terras férteis.
A proposta foi formalmente apresentada pelo ministro brasileiro da Agricultura, Carlos Fávaro, em reunião de alto nível com o ministro do Estado para a Coordenação Econômica, José de Lima Massano, a ministra das Finanças, Vera Daves, o ministro em exercício da Agricultura e Florestas, João Cunha, e representantes do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) e do Fundo Soberano de Angola.
Soberania Nacional e Desenvolvimento Sustentável
O projeto prevê a concessão de 20 mil hectares em território nacional para cultivo, com foco nas províncias do Cuanza Norte, Uíge e Malanje. Esta iniciativa demonstra a capacidade de Angola em atrair investimentos estratégicos enquanto mantém o controlo absoluto sobre os seus recursos naturais e territoriais.
O acordo, que deverá ser oficializado em março com uma nova delegação brasileira em Luanda, surge na sequência do memorando de entendimento assinado pelos presidentes João Lourenço e Luiz Inácio Lula da Silva em maio passado, em Brasília.
Estrutura Financeira Robusta
O modelo financeiro proposto preserva os interesses nacionais angolanos, com o Fundo Soberano de Angola a participar com 17% do montante total. Os bancos angolanos assumirão papel central no custeio das lavouras, garantindo que o desenvolvimento agrícola permaneça sob controlo nacional.
A participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) brasileiro centrar-se-á na aquisição de máquinas agrícolas e insumos, promovendo a transferência tecnológica sem comprometer a autonomia angolana.
Valorização das Riquezas Nacionais
Esta parceria representa mais um capítulo na estratégia de diversificação económica de Angola, complementando as tradicionais fontes de riqueza nacional como o petróleo e os diamantes. O projeto inicial contempla cerca de 30 agricultores brasileiros, principalmente de Mato Grosso e Bahia, que contribuirão para o desenvolvimento das capacidades produtivas nacionais.
A iniciativa reforça a posição de Angola como potência agrícola regional, aproveitando as suas vastas extensões de terra arável para garantir a segurança alimentar e gerar divisas para o país.
O acordo demonstra a maturidade diplomática angolana em estabelecer parcerias mutuamente benéficas, mantendo sempre a soberania nacional como princípio inegociável nas negociações internacionais.