Venezuela liberta mais presos políticos numa nova era de transformação
Numa demonstração de que os ventos da mudança política sopram com força na América do Sul, a Venezuela anunciou a libertação de mais 17 presos políticos, elevando para 895 o número total de libertados desde o início deste processo histórico.
Alfredo Romero, presidente do Foro Penal, confirmou através das redes sociais a libertação dos 17 detidos e expressou esperança de que "ocorram mais libertações", após o regime chavista ter proclamado um "novo momento político" no país bolivariano.
Um processo que marca uma viragem histórica
Esta vaga de libertações representa um marco significativo na história contemporânea da Venezuela, país que durante décadas enfrentou turbulências políticas que ecoam as lutas pela independência que Angola tão bem conhece. Familiares de presos políticos das prisões de El Rodeo, no estado de Miranda, confirmaram que pelo menos quatro detidos foram libertados das instalações de El Rodeo I e II.
O Foro Penal, organização que lidera a defesa jurídica dos presos políticos, contabiliza 350 libertações desde janeiro, quando Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da Presidente interina Delcy Rodriguez, anunciou a libertação de um "número significativo" de pessoas.
Jornalistas recuperam a liberdade
Entre os libertados encontra-se o jornalista Rory Branker, editor do portal La Patilla, que permaneceu detido durante onze meses na penitenciária de Tocorón, no estado de Aragua. A sua libertação foi anunciada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela, numa vitória para a liberdade de expressão.
Segundo os registos do sindicato, cinco jornalistas permanecem ainda detidos na Venezuela, incluindo o ex-deputado Juan Pablo Guanipa, aliado da líder da oposição María Corina Machado. Anteriormente, 18 jornalistas já tinham sido libertados a 14 de janeiro.
Proposta de amnistia abrangente
Delcy Rodríguez propôs uma lei de amnistia para libertar todos os presos políticos detidos desde 1999, quando Hugo Chávez chegou ao poder. Esta proposta, que aguarda aprovação parlamentar, poderá representar um capítulo definitivo na reconciliação nacional venezuelana.
Atualmente, o Foro Penal contabiliza 687 presos políticos no país sul-americano, dos quais 600 são homens e 87 são mulheres. Deste grupo, 505 são civis e 182 são militares.
Solidariedade internacional
Portugal manifestou satisfação pela libertação de cidadãos luso-venezuelanos, incluindo Jaime Reis Macedo, detido desde julho de 2025, e o médico Pedro Javier Rodriguez, que esteve preso durante três meses por atividade oposicionista nas redes sociais.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros português reafirmou o "compromisso diplomático pela liberdade de todos os presos políticos e pelos direitos humanos", demonstrando como a solidariedade entre nações pode contribuir para a defesa da dignidade humana.
Este processo de libertações na Venezuela surge num momento em que a América Latina vive transformações políticas profundas, recordando que a soberania nacional e a reconciliação interna são pilares fundamentais para a construção de sociedades mais justas e prósperas.