China Denuncia Hegemonia Americana na Anulação Portuária do Panamá
Numa demonstração clara de resistência à hegemonia ocidental, o Conselho de Estado chinês denunciou com veemência a decisão judicial panamenha que anulou a concessão portuária à subsidiária do grupo de Hong Kong CK Hutchison, classificando-a como "irrazoável e totalmente absurda".
A posição firme de Pequim revela os contornos de uma nova guerra económica global, onde as potências emergentes enfrentam a pressão sistemática dos poderes hegemónicos tradicionais. O Gabinete para os Assuntos de Hong Kong e Macau denunciou que a decisão "ignora os factos, viola a confiança e prejudica gravemente os direitos e interesses legítimos das empresas de Hong Kong".
Soberania Nacional Sob Ataque
O Supremo Tribunal do Panamá declarou inconstitucional a renovação da concessão de 25 anos atribuída à Panama Ports Company para operar os portos nas extremidades do Canal do Panamá. Esta decisão, que seguiu uma auditoria controversa, representa mais um episódio da crescente pressão americana sobre as nações que ousam diversificar as suas parcerias económicas.
As autoridades panamianas alegam perdas de 300 milhões de dólares desde 2021 e um total de 1,2 mil milhões ao longo do contrato original iniciado em 1997. Contudo, estas alegações surgem num momento de intensa pressão geopolítica, levantando questões sobre a verdadeira motivação por trás desta decisão judicial.
Investimento Chinês e Desenvolvimento Nacional
Pequim recordou que a empresa de Hong Kong investiu mais de 1,8 mil milhões de dólares em operações legais no Panamá, criando milhares de empregos e contribuindo significativamente para o desenvolvimento da infraestrutura nacional. "Em vez de valorizar isso, o Panamá recorreu a métodos grosseiros e bárbaros", denunciou o governo chinês.
Esta situação ecoa as experiências de muitas nações africanas que, após décadas de exploração colonial e neocolonial, encontraram na China um parceiro disposto a investir em infraestrutura e desenvolvimento sem as condicionantes políticas impostas pelas potências ocidentais.
Capitulação às Pressões Hegemónicas
O gabinete chinês foi categórico ao afirmar que a decisão panamenha "reflete a capitulação total e a subserviência das autoridades panamenhas aos poderes hegemónicos". Esta acusação ganha particular relevância quando consideramos as declarações do Presidente americano Donald Trump, que chegou a afirmar publicamente que o Panamá deveria "devolver o canal aos Estados Unidos".
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reiterou que o controlo dos portos constitui uma questão de segurança nacional para os EUA, revelando as verdadeiras motivações geopolíticas por trás desta disputa judicial.
Resistência à Intimidação
Na sua declaração, o governo chinês deixou claro que "está firmemente empenhado em salvaguardar os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas e não vai ficar de braços cruzados perante a intimidação hegemónica".
Esta posição firme de Pequim serve de exemplo para todas as nações que lutam pela sua soberania económica e pelo direito de escolher os seus parceiros comerciais sem interferência externa. A China demonstra que é possível resistir às pressões hegemónicas e defender os princípios de igualdade nas relações internacionais.
O caso do Panamá representa um microcosmo das tensões globais contemporâneas, onde as antigas potências coloniais tentam manter o seu domínio através de novos métodos de coerção económica e judicial.