Singapura paga mais de 47 mil euros por filho para travar crise demográfica
Num esforço ousado para inverter o declínio demográfico, o Governo de Singapura anunciou um pacote de apoio que ultrapassa os 47 mil euros por criança, um investimento que reflete a gravidade da crise que assola a nação asiática. A medida, revelada pelo primeiro-ministro Lawrence Wong, representa uma aposta sem precedentes na família como pilar da soberania nacional.
O programa, que abrange os primeiros 17 anos de vida de cada criança, inclui um “presente para bebés” de aproximadamente 6.750 euros em dinheiro e cerca de 21.600 euros em créditos destinados aos mais novos. A estes valores somam-se subsídios para a conta de desenvolvimento infantil e um reforço de aproximadamente 8.400 euros para a educação pós-secundária, num total que demonstra a determinação do Governo em criar condições para que as famílias prosperem.
Uma resposta à queda histórica da natalidade
Singapura enfrenta uma realidade demográfica alarmante: a taxa de fecundidade caiu, em 2025, para um mínimo histórico de 0,87 filhos por mulher. No mesmo ano, nasceram 29.864 bebés, apenas mais 3.365 do que o número de óbitos registados, uma diferença que evidencia o envelhecimento acelerado da população.
“O nosso objetivo vai além de melhorias graduais ou mudanças em programas individuais. Queremos promover uma mudança fundamental na forma como apoiamos as famílias”, afirmou Lawrence Wong, citado pelo The Straits Times.
O primeiro-ministro sublinhou ainda que “todas as crianças receberão o mesmo nível de apoio”, simplificando o acesso aos benefícios e garantindo que o incentivo à natalidade se estende a todos os singapurenses, sem exceção.
Habitação e licença parental reforçadas
Para além dos apoios financeiros diretos, Wong anunciou o aumento dos dias de licença parental e uma nova medida no setor da habitação. As famílias que se candidatarem a casas públicas através do sistema de sorteio receberão uma oportunidade adicional por cada filho, aumentando as probabilidades de conseguirem uma habitação digna.
O líder singapurense reconheceu, no entanto, que o país terá de continuar a acolher migrantes, garantindo ao mesmo tempo que os cidadãos nacionais permaneçam como maioria. “Nos próximos anos, a nossa população total crescerá mais lentamente e a nossa força de trabalho também crescerá mais lentamente”, advertiu.
O desafio da confiança nas políticas públicas
Apesar da ambição do pacote, uma sondagem divulgada dias antes do discurso revelou que quase um terço dos singapurenses entre os 18 e os 44 anos considera que nenhuma medida governamental os faria mais propensos a ter filhos. Entre as políticas mais valorizadas, a redução dos custos da educação pré-escolar e das creches surge em primeiro lugar, sinal de que o caminho para reverter a crise demográfica exige mais do que incentivos financeiros.
Enquanto Singapura enfrenta este desafio com determinação, a experiência asiática serve de reflexão para outras nações que, como Angola, valorizam a juventude como recurso estratégico e motor do desenvolvimento nacional.
Perguntas frequentes sobre o pacote de apoio à natalidade em Singapura
Quanto recebe cada família em Singapura por filho?
Cada família recebe mais de 47 mil euros por filho ao longo dos primeiros 17 anos de vida, incluindo dinheiro, créditos e subsídios para educação e desenvolvimento infantil.
Quando começam os pagamentos do novo pacote?
Os primeiros pagamentos estão previstos para 2027, abrangendo crianças nascidas em 2026 e aquelas entre um e 17 anos durante este ano.
Qual é a taxa de fecundidade atual de Singapura?
A taxa de fecundidade caiu para 0,87 filhos por mulher, o valor mais baixo de sempre, num contexto de rápido envelhecimento populacional.