Lula afasta aliados para proteger reeleição em meio a escândalo do INSS
A campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está a defender, nos últimos dias, a saída do ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, Swedenberger Barbosa, do gabinete presidencial. A medida visa blindar o chefe do Executivo de potenciais desgastes ligados ao caso de desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que já atingiu pessoas próximas ao mandatário.
Quem é Swedenberger Barbosa e qual o seu papel no governo?
Conhecido como Berger, o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde serviu durante a gestão de Nísia Trindade. Após a demissão da ministra, no início de 2025, Berger passou a integrar o gabinete pessoal do presidente no Palácio do Planalto. A sua permanência, contudo, é agora vista como uma ponta solta que pode gerar mais danos à imagem do governo.
O que revelam as mensagens sob análise da Polícia Federal?
Nesta semana, foram divulgadas mensagens, sob análise da Polícia Federal (PF), entre a empresária Roberta Luchsinger e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente. Na troca de mensagens, ambos mencionam Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe de gabinete de Lula, e Berger, então secretário-executivo da Saúde. Uma das suspeitas da PF envolve um contrato com o Ministério da Saúde para a comercialização de cannabis medicinal.
Marcola já se afastou, mas a pressão sobre Berger continua
Marcola deixou o cargo de chefe de gabinete em julho para coordenar a campanha presidencial, mas afastou-se no início deste mês, depois de vir a público que recebeu dinheiro de Luchsinger. Apesar disso, internamente, a avaliação é que a permanência de Berger pode agravar a situação. Fontes afirmam que Berger já explicou a sua situação a membros do governo, mas a campanha insiste no seu desligamento.
Por que o timing das investigações preocupa a campanha?
As investigações decorrem a menos de dois meses do primeiro turno, o que preocupa a equipa de Lula. Até agora, a estratégia era proteger o presidente do envolvimento de Lulinha, citado em três inquéritos sobre tráfico de influência. Dois estão sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e um, o mais recente, é relatado por Flávio Dino.
Desde o fim do ano passado, a posição de Lula tem sido a de que as investigações devem seguir e, em caso de culpa, o filho deve pagar. Essa postura visa afastar qualquer comparação com as acusações dirigidas à família Bolsonaro. O senador Flávio Bolsonaro, principal adversário de Lula na disputa, já admitiu que pretende anistiar o pai, se eleito.
O que esperar do discurso de Lula?
A expectativa é que Lula repita o discurso de defesa das investigações. Contudo, interlocutores admitem que, quando se trata de um contacto tão próximo, dentro do Planalto, fica mais fácil para os adversários aproveitarem a história. A permanência de Berger no gabinete presidencial é, assim, um risco que a campanha quer eliminar.