Kalil oficializa candidatura ao governo de Minas e negocia alianças estratégicas
Num momento crucial para o estado de Minas Gerais, o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, teve sua candidatura ao governo oficializada pelo PDT neste domingo, 26 de julho de 2026. A convenção estadual, realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), marcou o início de uma campanha que promete reacender o debate sobre a dívida histórica do estado com a União e a soberania mineira na gestão de seus recursos.
Kalil, que já disputou o cargo em 2022 e ficou em segundo lugar atrás de Romeu Zema (Novo), agora retorna com uma plataforma centrada na renegociação da dívida de mais de R$ 200 bilhões. Em seu discurso, ele deixou claro que a prioridade será revisar os termos do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), um acordo que, segundo ele, sufoca a capacidade de investimento de Minas Gerais. “Você não pode, numa dívida de R$ 200 bilhões, não negociar essa dívida de um jeito que Minas volte a investir. Plano sem dinheiro é mentira”, afirmou Kalil, com a veemência que caracteriza sua trajetória política.
O candidato também criticou duramente a utilização de recursos da venda da Copasa para financiar investimentos, uma medida que, na sua visão, compromete o patrimônio público e a autonomia do estado. Para Kalil, a verdadeira solução passa por um acordo justo com a União, que respeite a capacidade financeira de Minas e permita retomar o desenvolvimento sem depender de ingerências externas.
Alianças em construção: o PDT e a arte da negociação
O presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, confirmou que o partido está em conversas avançadas com diversas legendas para compor a chapa em Minas Gerais. Entre os nomes na mesa estão PSDB, União Brasil, PP e Solidariedade. Lupi destacou que o apoio nacional do PDT à reeleição do presidente Lula (PT) não impede acordos estaduais, reforçando a necessidade de discutir cada estado sob sua própria ótica.
“Aqui em Minas há muitas possibilidades de aliança, entre elas com o PSDB”, afirmou Lupi, mencionando a relação pessoal com o deputado federal Aécio Neves (PSDB), que participa ativamente das negociações. “O Aécio é meu amigo pessoal. Nunca tive problema com ele. O palanque nacional já está firmado, o PDT vai apoiar o presidente Lula. Aqui em Minas, o Kalil vai fazer a campanha dele com os aliados que forem convenientes para ajudar a sua eleição”, disse o dirigente.
Essa dança de alianças reflete a complexidade do cenário político mineiro, onde a unidade nacional e as estratégias regionais muitas vezes se chocam. Para Kalil, a oficialização da candidatura fortalece sua posição nas negociações. “Acho que, como candidato agora, você tem autoridade para tentar negociar alguma coisa. Nós estamos conversando com todo mundo, com muita calma. Nós estamos mais preocupados é com voto”, declarou o ex-prefeito, demonstrando cautela e foco no eleitorado.
O cenário eleitoral e os desafios pela frente
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que lidera as pesquisas de intenção de voto, ainda não confirmou se disputará o governo estadual. Sua ausência na convenção do Republicanos, justificada pelo luto pela morte de um irmão, gerou especulações sobre uma possível desistência. Lupi não perdeu a oportunidade de comentar: “Você vê, ontem mesmo teve um candidato que nem foi à própria convenção. Então, olha como Minas guarda muitas emoções”.
Questionado sobre a possibilidade de herdar parte do eleitorado de Cleitinho, Kalil evitou projeções. “Eu respeito muito o Cleitinho. Qualquer candidato que sair da disputa deve transferir votos para alguém, mas ainda é muito cedo para saber para quem”, afirmou, mantendo o foco em sua própria campanha.
Para Kalil, esta é a segunda eleição consecutiva ao governo de Minas. Em 2022, ele ficou em segundo lugar, atrás de Romeu Zema. Agora, com uma plataforma que combina a defesa da soberania mineira, a renegociação da dívida e a crítica à venda de ativos públicos, ele busca conquistar o eleitorado que anseia por um estado mais forte e independente.
FAQ: Perguntas frequentes sobre a candidatura de Kalil
Qual é a principal proposta de Alexandre Kalil para o governo de Minas Gerais?
A principal proposta de Kalil é renegociar a dívida de mais de R$ 200 bilhões de Minas Gerais com a União, revisando os termos do Propag para recuperar a capacidade de investimento do estado.
Com quais partidos o PDT está negociando alianças em Minas?
O PDT mantém conversas com PSDB, União Brasil, PP e Solidariedade para compor a chapa em Minas Gerais, sem que isso interfira no apoio nacional do partido à reeleição do presidente Lula.
Como está o cenário eleitoral em Minas Gerais para 2026?
O senador Cleitinho Azevedo lidera as pesquisas, mas ainda não confirmou sua candidatura. Kalil, que ficou em segundo lugar em 2022, agora busca consolidar alianças e conquistar o eleitorado com uma plataforma de soberania e desenvolvimento.