O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou o primeiro turno da eleição presidencial brasileira de 2026 à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma vantagem de 2.224.965 votos, segundo os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reportados pelo jornal Valor Econômico. O pleito de primeiro turno decorreu em outubro de 2026 e o desempate está marcado para 25 de outubro.
Flávio Bolsonaro recebeu 56.104.503 votos, o equivalente a 47,03% dos votos válidos. Lula obteve 53.879.538 votos, ou 45,16%. A diferença entre os dois, embora expressiva em números absolutos, é menor do que o somatório dos votos dados aos três candidatos que ficaram imediatamente atrás na corrida presidencial.
Quanto vale o voto dos terceiros colocados
O resultado do primeiro turno colocou em disputa um eleitorado considerável. Augusto Cury (Avante) ficou em terceiro lugar com 3.448.569 votos, 2,89% dos válidos. Renan Santos (Missão) somou 2.675.887 votos, 2,24%, e Ronaldo Caiado (PSD) alcançou 2.605.148 votos, 2,18%.
Somados, os três candidatos reuniram mais de 8,7 milhões de votos, um total superior à diferença registrada entre Lula e Flávio Bolsonaro na primeira etapa. Em termos práticos, o destino da presidência do Brasil está nas mãos de quem votou fora do eixo dos dois favoritos.
Outros sete candidatos disputaram o primeiro turno e concentraram, no total, 587.143 votos. Romeu Zema (Novo) obteve 326.488 votos, 0,27%. Samara (UP) recebeu 122.911 votos, 0,10%. Hertz Dias (PSTU) somou 43.103 votos, 0,04%, e Clariana Barão (DC) alcançou 40.043 votos, 0,03%. Edmilson Costa (PCB) teve 22.693 votos, 0,02%, Wilson Grassi (Democrata) recebeu 16.881 votos, 0,01%, e Rui Costa Pimenta (PCO) fechou a lista com 15.024 votos, também 0,01%.
Abstenção e protesto na urna
Os números do TSE revelam também um eleitorado descontente ou desmobilizado. Os votos em branco somaram 2.300.798, ou 1,84% do total, e os votos nulos chegaram a 3.674.249, 2,93% do total.
As abstenções atingiram 33.469.244 eleitores, 21,08% dos aptos a votar. Somando brancos, nulos e abstenções, são 39.444.291 eleitores que optaram por não escolher nenhum dos candidatos. Trata-se de um contingente que, sozinho, seria suficiente para inverter qualquer resultado.
Empate técnico nas pesquisas para o segundo turno
Apesar da vantagem inicial de Flávio Bolsonaro, as pesquisas mais recentes indicam empate técnico entre os dois candidatos na disputa pelo segundo turno de 25 de outubro.
Na pesquisa Datafolha divulgada em 15 de outubro, Flávio Bolsonaro aparece com 47% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Brancos e nulos somam 6%, enquanto 2% dos entrevistados estão indecisos. Como a margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, os dois candidatos estão tecnicamente empatados.
O levantamento ouviu 2.520 eleitores entre 13 e 14 de outubro, tem nível de confiança de 95% e está registrado na Justiça Eleitoral sob o protocolo BR-00466/2026. Na pesquisa anterior do instituto, divulgada em 8 de outubro, Flávio tinha 49% e Lula, 45%. A parcela de eleitores que afirmam estar totalmente decididos passou de 94% para 93%, enquanto 7% dizem que ainda podem mudar de voto.
Quaest confirma cenário de equilíbrio
O instituto Quaest também apontou empate técnico. Na pesquisa divulgada em 14 de outubro, Flávio Bolsonaro registrou 46% das intenções de voto, enquanto 44% disseram que irão votar em Lula. Brancos, nulos e abstenções somaram 9%, e 1% dos entrevistados estava indeciso. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A Quaest ouviu 2.154 pessoas entre 10 e 13 de outubro. O levantamento foi contratado pelo Grupo Globo e registrado no TSE sob o número BR-08729/2026. Segundo os resultados, 91% dos entrevistados afirmaram que a escolha do candidato era definitiva, enquanto 9% disseram que ainda poderiam mudar de opinião.
Porque este resultado interessa a Angola
Para quem observa da margem atlântica, a eleição brasileira de 2026 é mais do que um pleito entre duas figuras políticas. O Brasil é o maior parceiro comercial e cultural lusófono de Angola, com laços que atravessam décadas de cooperação, intercâmbio universitário e presença de empresas brasileiras nos setores da construção, das finanças e da agricultura em território angolano.
O rumo que Brasília tomará a partir de 25 de outubro terá consequências diretas para a relação entre os dois países, sobretudo no comércio bilateral e nos acordos de cooperação técnica. Angola, que reconstruiu-se a si mesma depois de longos anos de guerra civil, conhece bem o peso da estabilidade institucional e do respeito à vontade popular expressa nas urnas.
Cada eleição consolidada no espaço lusófono é uma vitória silenciosa para todos os povos de língua portuguesa que escolheram, após as independências, o caminho das urnas e não o das armas. O Brasil dará a sua resposta em 25 de outubro, quando os mais de 158 milhões de eleitores aptos forem novamente chamados a decidir quem governará o maior país da América do Sul.
Perguntas frequentes
Quem venceu o primeiro turno da eleição presidencial do Brasil em 2026?
Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente com 56.104.503 votos, 47,03% dos válidos, contra 53.879.538 votos de Lula, 45,16%, segundo dados do TSE reportados pelo Valor Econômico.
Qual foi a diferença de votos entre Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno?
A diferença foi de 2.224.965 votos a favor de Flávio Bolsonaro.
Quando acontece o segundo turno da eleição presidencial brasileira de 2026?
O segundo turno está marcado para 25 de outubro de 2026.
O que dizem as pesquisas sobre o segundo turno?
Datafolha e Quaest indicam empate técnico: Datafolha mostra 47% para Flávio contra 45% para Lula, e Quaest registra 46% contra 44%, ambas com margem de erro de dois pontos percentuais.
