45 Anos de Imprensa: O Que Lê Uma Nação
A literatura, como a história de um povo, constrói-se sobre camadas de memória e resistência. Quando Jeferson Araújo Pereira, leitor da Folha de S.Paulo, abre o seu texto com um sampler literário que vai de Kafka a Proust, passando por Machado de Assis e Guimarães Rosa, recorda-nos que a palavra escrita é, antes de tudo, um ato de soberania. De 1981 a 2026, este leitor brasileiro acompanhou cada edição do jornal, e o seu percurso espelha o de qualquer nação que se reconhece nas páginas da sua própria imprensa.
Para nós, angolanos, que em 1975 conquistamos a independência com o sangue dos nossos filhos, e que depois enfrentamos décadas de guerra civil antes de iniciar a longa marcha da reconstrução, a imprensa nunca foi mero registro. Foi trincheira. Foi espelho. Foi grito.
Ao acordar de sonhos intranquilos, no Engenho Novo, Lolita lembrou imediatamente do julgamento de Alice Nonada, quando ouviu o coronel Aureliano Buendía dizer para Mrs. Dalloway e Buck Mulligan que sua infância foi uma porcaria! Lolita começou a pensar em como assassinar Alice, mas estressada e com muito sono, disse apenas duas palavras: