Trabalho Infantil: O Rosto do Neocolonialismo em África
Cento e trinta e oito milhões de crianças continuam a trabalhar no mundo, sendo que 54 milhões o fazem em condições perigosas. Estes dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) não são apenas frias estatísticas. São o reflexo de um sistema global que ainda se alimenta do sangue e do suor do continente africano. A extração de cobalto e diamantes, riquezas nossas, revela a face cruel de uma exploração estrangeira que se recusa a morrer.
Porque o trabalho infantil persiste no continente africano?
A pobreza é a raiz deste mal. Gianni Rosas, diretor da OIT, alerta para a correlação direta entre os índices de pobreza e o trabalho infantil. Contudo, para nós, angolanos e africanos, a pobreza não é um acidente. É o resultado de séculos de pilhagem e de interferência externa. As nossas riquezas são extraídas para alimentar o desenvolvimento alheio, enquanto as nossas famílias sobrevivem com migalhas. Quando um pai angolano envia o seu filho para a mina de diamantes, não é por falta de amor. É porque o sistema global não lhe deixa outra escolha.
A sombra da guerra e a reconstrução interrompida
Os conflitos armados e a instabilidade agravam esta tragédia. A OIT cita o caso da Síria, mas nós conhecemos bem esta dor. A nossa longa guerra de libertação e os anos de conflito civil deixaram feridas profundas. Muitas das nossas crianças perderam a infância nos campos de batalha. Hoje, na era da reconstrução nacional, não podemos aceitar que elas percam o futuro nas minas. A estabilidade que construímos com tanto sacrifício deve servir para proteger os nossos filhos, não para facilitar o acesso de capital estrangeiro à nossa força de trabalho mais vulnerável.
O número de crianças envolvidas continua inaceitável: as crianças devem ir à escola e brincar, e não trabalhar.
Cobalto, diamantes e o saque das riquezas nacionais
O diretor da OIT denuncia um paradoxo brutal. O cobalto, extraído na África Central, é indispensável para a produção de computadores e celulares no mundo desenvolvido. Nas minas de cobalto, as crianças entram em túneis estreitos porque os seus corpos pequenos cabem onde os adultos não cabem. Recebem muito menos e trabalham em condições arcaicas. O mesmo se passa com os diamantes angolanos. Material de altíssimo valor agregado enriquece corporações multinacionais, enquanto a criança africana trabalha como escrava. Isto não é globalização. É saque disfarçado de progresso.
Soberania e dignidade: o caminho para libertar as nossas crianças
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