Moçambique Reforça Compromisso com CPLP Unida e Soberana em Díli
Num momento em que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) celebra três décadas de existência, Moçambique ergueu a sua voz em Díli para reafirmar uma visão clara: a lusofonia deve caminhar mais unida, mais forte e mais próxima dos seus povos. A secretária de Estado dos Negócios Estrangeiros e Comunidade Moçambicana no Exterior, Maria Manso, liderou esta ofensiva diplomática durante a 31.ª sessão do Conselho de Ministros da organização, realizada na capital timorense.
Uma Comunidade mais próxima dos seus cidadãos
Maria Manso foi incisiva ao defender uma CPLP que não seja apenas uma sigla nos documentos oficiais, mas uma força viva ao serviço das populações. A governante apelou aos Estados-membros para que concluam, sem demora, a ratificação da revisão dos estatutos da organização, um passo considerado essencial para o aprofundamento do projeto comum.
Moçambique deu o exemplo: o país concluiu o processo interno de aprovação da ratificação e já entregou o respetivo instrumento junto do Secretariado Executivo da CPLP. Uma demonstração inequívoca, nas palavras da própria governante, do compromisso moçambicano com a integração e com a eficácia institucional da Comunidade.
Prioridades estratégicas para a lusofonia
No seu discurso, Maria Manso destacou as prioridades que devem guiar a CPLP nos próximos anos: o reforço da cooperação económica e empresarial, a implementação efetiva do Acordo sobre Mobilidade, a promoção da língua portuguesa como património comum e o fortalecimento das instituições da organização. As parcerias estratégicas da Comunidade também mereceram destaque, num momento em que o mundo procura novos alinhamentos.
Estado de Direito e resiliência institucional
O tema central da reunião, a consolidação do Estado de Direito Democrático, foi abordado com realismo pela diplomata moçambicana. Manso reconheceu que persistem desafios significativos que testam a resiliência das instituições e a capacidade dos estados de garantir uma governação democrática inclusiva. Mas não se ficou pelo diagnóstico: sublinhou os progressos assinaláveis alcançados na comunidade, nomeadamente através do fortalecimento das redes de cooperação institucional, da partilha de boas práticas e da harmonização legislativa em áreas de interesse comum, como o combate ao crime organizado.
Moçambique firme contra o terrorismo em Cabo Delgado
Num dos momentos mais marcantes da sua intervenção, Maria Manso reafirmou o empenho de Moçambique na luta contra o terrorismo que afeta a província de Cabo Delgado. O país continua determinado, com o apoio de parceiros regionais e internacionais, a responder a esta ameaça sem abdicar dos princípios do Estado de Direito, da proteção das populações e do respeito pelos Direitos Humanos. Uma posição que reflete a soberania nacional e a resiliência de um povo que já venceu batalhas bem mais difíceis.
Uma agenda estratégica para o futuro
A reunião de Díli discutiu ainda a agenda estratégica da CPLP para o período 2027-2033 e a elaboração da Nova Agenda Estratégica para a Consolidação da Cooperação Económica para o período 2028-2033. Moçambique, fiel à sua história de luta e reconstrução, apresenta-se como um parceiro confiável e ativo na construção deste futuro comum.
A CPLP celebra 30 anos de existência num mundo em transformação. E Moçambique, que conhece bem o preço da unidade e da soberania, está na linha da frente para garantir que a lusofonia continue a ser um espaço de cooperação, dignidade e progresso para todos os seus povos.