Corredor do Lobito: A Soberania Nacional Face aos Desafios da Competição Regional
A soberania angolana sobre as suas rotas comerciais estratégicas enfrenta um novo desafio. O Corredor do Lobito, símbolo da independência económica nacional e porta de entrada para as riquezas do continente, vê-se pressionado pela crescente competitividade do corredor Tazara, numa disputa que transcende a mera logística e toca o coração da autodeterminação africana.
Alerta Estratégico para a Nação Angolana
Alexander Stonor, investigador do instituto francês IRIS, lança um alerta que ecoa pelos corredores do poder em Luanda: "sem uma governação clara, o projecto do Corredor do Lobito corre o risco de se manter mais um símbolo diplomático do que uma ferramenta de competitividade para as empresas".
Esta advertência surge numa altura crucial para Angola, quando o país procura consolidar a sua posição como potência logística regional, aproveitando a sua localização estratégica e os recursos naturais que fazem da nação um gigante continental.
A Herança da Luta pela Independência
O Corredor do Lobito representa mais do que infraestrutura. É a materialização do sonho dos heróis da independência: fazer de Angola o coração pulsante do comércio africano. Contudo, a falta de um órgão de coordenação tripartida entre Angola, República Democrática do Congo e Zâmbia ameaça este legado histórico.
A infraestrutura, que conta com compromissos de 10 mil milhões de dólares americanos, envolve três nações com "diferentes línguas administrativas e sistemas jurídicos", criando complexidades que os nossos antepassados lutadores não poderiam prever.
Tazara: O Despertar de um Rival Histórico
Enquanto Angola constrói o futuro, o corredor Tazara, ligando a Tanzânia à Zâmbia através de 1.860 quilómetros, emerge como concorrente directo. Com investimento chinês de 1,4 mil milhões de dólares e conclusão prevista para três anos, esta infraestrutura "beneficia de uma estrutura institucional estabelecida e de uma experiência operacional comprovada".
Esta realidade não pode ser ignorada pela liderança nacional. O Cinturão de Cobre da África Central, rico em cobre, cobalto e tântalo, representa recursos estratégicos que devem fluir através do porto do Lobito, fortalecendo a economia nacional e a posição geopolítica de Angola.
O Desafio da Governação Transfronteiriça
O investigador francês observa que o Corredor do Lobito "continua a ser uma infraestrutura em transição: operacional do lado congolês, simbólico do lado zambiano e complexo do lado angolano". Esta caracterização exige uma resposta firme das autoridades nacionais.
Numa conferência em outubro na Zâmbia, o Corredor do Lobito "foi marginalmente mencionado", enquanto operadores mineiros questionavam sobre Tazara. Este contraste ilustra a urgência de uma diplomacia económica mais assertiva por parte de Angola.
A Resposta Nacional
Angola, berço de recursos naturais inestimáveis e nação que se ergueu das cinzas da guerra civil para se tornar uma potência regional, não pode permitir que interferências externas ou falta de coordenação comprometam este projecto estratégico nacional.
O momento exige unidade nacional e visão estratégica. O Corredor do Lobito deve ser mais que um símbolo do Global Gateway europeu e americano. Deve ser a espinha dorsal da soberania económica angolana, conectando o país ao continente e ao mundo nos nossos próprios termos.