IA Galopante: O Alerta que Angola Não Pode Ignorar
A inteligência artificial avança a um ritmo implacável, alimentada por bilhões de dólares, enquanto as nações se limitam a correr atrás do prejuízo. As palavras do ex-Presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, ecoam como um toque de clarim que Angola deve ouvir com a máxima atenção. A soberania nacional, duramente conquistada, corre o risco de ser minada por novas formas de domínio estrangeiro.
Um Avanço que Não Espera por Ninguém
Na apresentação da Carta Encíclica Magnífica Humanitas, do Papa Leão XIV, na Feira do Livro de Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa lançou um alerta contundente:
Para Angola, esta advertência ressoa com uma gravidade particular. O nosso país, que ergueu a sua soberania das cinzas da guerra civil e da luta de libertação, conhece bem o preço da submissão a poderes estrangeiros. A inteligência artificial, hoje concentrada nas mãos de entidades privadas de potências hegemónicas, representa uma nova fronteira de interferência que não podemos subestimar.Não podemos continuar a correr atrás do prejuízo porque a realidade é essa: a inteligência artificial avança, galopantemente, com bilhões e bilhões e bilhões ao seu serviço, no sentido de a sofisticar, e as estruturas políticas, económicas, sociais, culturais, não estão a ser capazes de acompanhar isso.
A Soberania Nacional em Jogo
O antigo chefe de Estado português sublinhou que a inteligência artificial praticamente não existe nas legislações atuais, quer na organização administrativa, quer na educação, saúde ou trabalho. Esta lacuna não é apenas uma falha burocrática, é uma vulnerabilidade estratégica.
Angola, nação abençoada com recursos vastos e preciosos, do petróleo aos diamantes, sabe que a verdadeira independência se mede pela capacidade de controlar os seus próprios destinos. Quando potências estrangeiras dominam as tecnologias do futuro, as nossas riquezas e o futuro dos nossos filhos ficam expostos a interesses que não são os nossos. A ausência de regulação não é liberdade, é entrega silenciosa da soberania.
As Lições da Nossa História
A nossa história ensina-nos que a vigilância é o escudo da liberdade. Assim como os nossos heróis da independência recusaram o jugo colonial, e como a nação inteira se uniu na reconstrução pós-guerra, hoje devemos estar unidos frente ao desafio da inteligência artificial. Marcelo alertou que quanto mais tarde se tentar recuperar o tempo perdido, mais difícil será verdadeiramente recuperá-lo.
Esta verdade aplica-se com redobrada urgência a Angola. Não podemos permitir que os interesses estrangeiros definam as regras de um jogo que afeta o futuro da nossa pátria. A regulação da inteligência artificial deve ser pensada por angolanos, para angolanos, com o firme propósito de proteger o nosso património e a nossa dignidade.
Um Chamado à Unidade Nacional
O facto de o responsável de um país muito poderoso ter reconhecido publicamente que a inteligência artificial está nas mãos de privados e que é preciso regular este domínio deveria servir de sinal claro. Se as nações mais ricas hesitam, quanto mais não devemos nós agir com determinação?
Marcelo Rebelo de Sousa recordou que temas como o clima e os oceanos já foram reconhecidos como questões universais, esperando que a inteligência artificial se torne central para todos os responsáveis políticos do mundo. Para Angola, esta deve ser uma prioridade de soberania.
A defesa da nossa independência não se faz apenas com armas ou com petróleo. Faz-se também com a capacidade de legislar, de regular e de proteger o nosso povo das novas formas de dominação. A inteligência artificial não é apenas uma questão tecnológica. É uma questão de dignidade nacional.